queima prescrita no inverno: corta risco de incêndios e rejuvenesce pastos

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) voltou a levar para o terreno um conjunto de queimas planeadas no Norte do país, após uma janela meteorológica favorável que permitiu retomar operações adiadas pelo mau tempo. A prioridade desta campanha 2025/26 é renovar pastagens e criar faixas no terreno que reduzam a carga de combustível e facilitem o combate a incêndios durante o verão.

As ações de fogo controlado executadas pelo ICNF na região norte já cobriram mais de 800 hectares, segundo dados da direção regional. Entre as serras do Marão e de Montemuro foram intervencionados cerca de 400 hectares, num esforço que combina objetivos ambientais, operacionais e económicos locais.

Além da criação de pasto para o gado, estas queimas são pensadas como um mosaico de intervenções: partes aradas para renovação herbácea intercalam com faixas que reduzem a continuidade do combustível e podem funcionar como uma verdadeira zona de oportunidade para as equipas de combate caso surja um incêndio.

O treino das equipas é outra vantagem prática das operações de inverno. Segundo responsáveis do ICNF, conduzir fogo em condições controladas durante a estação fria prepara bombeiros e outras equipas para as ações de verão, quando o risco é maior e a resposta tem de ser mais rápida.

Esta semana, com dias seguidos sem chuva e humidades relativas na ordem dos 30–40%, foram ativadas queimas em vários pontos: Ponte de Lima, Melgaço, Montalegre, Bragança, Ribeira de Pena, Vinhais, Arouca, Vale de Cambra e Serra do Marão. No Marão chegaram a ser queimadas três parcelas em simultâneo, sempre com monitorização das condições de vento e humidade para garantir segurança.

As equipas em campo reúnem elementos do ICNF, bombeiros voluntários, técnicos municipais, a Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, Corpo Nacional de Agentes Florestais (CNAF) e sapadores florestais dos baldios. Os meios e a dimensão das equipas são ajustados caso a caso, consoante a área a intervir e a previsão meteorológica.

  • Área já intervencionada: mais de 800 hectares nesta campanha 2025/26.
  • Serras com maior intervenção: Marão e Montemuro (c. 400 ha).
  • Período operacional: tipicamente de setembro/outubro até abril, com encerramento dependente do ano hidrológico.
  • Parceiros no terreno: bombeiros, gabinetes técnicos municipais, UEPS da GNR, CNAF, sapadores forestais e pastores locais.
  • Medidas complementares: desde 2020 foram instaladas mais de 8 000 hectares de faixas de gestão de combustível na região Norte.

Os responsáveis destacam que nem sempre é possível avançar com as queimas no calendário previsto: este inverno com chuva intensa e episódios de vento atrasou várias operações. Quando as condições permitem, porém, a intervenção é feita com protocolos rígidos e presença contínua de meios de vigilância e segurança.

O planeamento inclui também diálogo com os pastores locais: as queimas são coordenadas para responder à procura de pasto e para manter atividades agropecuárias que são essenciais à fixação de população no meio rural. Produtores como José Teixeira, de Canadelo (Amarante), consideram as renovações de pasto decisivas para a viabilidade das suas explorações — sem pastagens acessíveis, a manutenção do gado torna-se financeiramente insustentável.

Apesar dos benefícios, os serviços sublinham que há riscos inerentes. Por isso, cada operação tem avaliação prévia da meteorologia, acompanhamento em permanência por agentes florestais e sapadores e regras claras sobre o dimensionamento dos meios. O objetivo é maximizar ganhos para a paisagem e minimizar a probabilidade de incidentes.

O fecho da época de queimas, normalmente entre o final de março e meados de abril, não tem data fixa: depende do balanço hídrico do ano, da necessidade de proteger períodos de reprodução de espécies e das restrições impostas por áreas protegidas, como as Zonas da Rede Natura 2000 que existem no Marão.

Em termos práticos, a retomada das queimas este mês implica duas consequências imediatas para os cidadãos: menos combustível acumulado na paisagem — o que reduz o potencial de incêndios de grande intensidade — e pastagens renovadas que sustentam a atividade agropecuária local. A continuidade destas ações, combinada com faixas de gestão e outras medidas preventivas, é apresentada pelas autoridades como peça-chave para reduzir o risco e a gravidade dos incêndios futuros.

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