Primeiro-ministro intervém hoje na Assembleia Geral da ONU

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Luís Montenegro participa esta quinta-feira na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, e louvou o secretário-geral António Guterres como “a grande referência moral das nações”. A presença do primeiro‑ministro surge meses antes de Portugal reassumir um lugar não‑permanente no **Conselho de Segurança** da ONU.

Agenda da visita a Nova Iorque

Montenegro cumpre o terceiro e último dia de uma viagem oficial aos Estados Unidos e regressa a Portugal ainda esta quinta‑feira. A sua agenda incluiu um primeiro dia com foco económico — durante o qual foi convidado a tocar o sino de encerramento na Bolsa de Valores de Nova Iorque — e, na quarta‑feira, um encontro com António Guterres.

Delegação em trânsito num hotel em Nova Iorque durante visita oficial
Montenegro cumpre o terceiro e último dia da deslocação oficial a Nova Iorque.

No encontro com o secretário‑geral, o chefe do Governo elogiou Guterres pela sua atuação internacional, num contexto em que o português deixará, dentro de poucos meses, a liderança da organização.

Posições anteriores do primeiro‑ministro na ONU

Quando falou pela primeira vez na Assembleia Geral há dois anos, Montenegro defendeu uma reforma estrutural da ONU. Entre as propostas que apresentou estava a ideia de permitir que o **Conselho de Segurança** tomasse decisões por maioria em matérias e circunstâncias previamente definidas, para evitar bloqueios resultantes do direito de veto.

Nessa intervenção anterior, o primeiro‑ministro condenou “de forma veemente” a ação da Federação Russa na Ucrânia. Pediu também um cessar‑fogo em Gaza e negociações visando uma solução de dois Estados, sem referir diretamente Israel.

Na mesma ocasião, manifestou ter a “legítima ambição” de ver o português adotado como língua oficial da ONU, um objetivo associado à CPLP e apoiado pelo Presidente do Brasil, Lula da Silva.

Quando e com quem fala

A sua intervenção está prevista para o início da tarde, no horário local de Nova Iorque (cinco horas a menos do que em Lisboa). Segundo a ordem de discursos divulgada pela ONU, Montenegro será o último orador da sessão da manhã — que deve terminar perto das 15:00 locais — e falará imediatamente após o primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O lugar de Portugal nas Nações Unidas

Para Portugal, este debate ocorre poucos meses antes de o país assumir, a partir de 1 de janeiro do próximo ano, um cargo de membro não‑permanente do **Conselho de Segurança** para o biénio 2027‑2028. A candidatura portuguesa foi eleita com a maior votação alguma vez registada numa candidatura do país a esse órgão e, pela primeira vez, na primeira volta.

Sala da Assembleia Geral das Nações Unidas com bandeiras dos Estados‑membros
A Assembleia Geral reúne 193 Estados‑membros em pé de igualdade.

Portugal já foi membro não‑permanente nos biénios 1979‑1980, 1997‑1998 e 2011‑2012. Sempre que se candidatou foi eleito.

Contexto institucional

A **Assembleia Geral** reúne os 193 Estados‑membros em pé de igualdade e tem caráter representativo. As decisões com força vinculativa surgem do **Conselho de Segurança**, onde cinco potências — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — ocupam lugares permanentes com direito de veto.

Quem costuma representar Portugal

Normalmente a representação portuguesa na Assembleia Geral alterna entre o Presidente da República e o primeiro‑ministro. Entre 2016 e 2025, o antigo presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi várias vezes a Nova Iorque (2016, 2018, 2019, 2021, 2023 e 2025). Em 2017, 2020 e 2022, a palavra coube ao antigo primeiro‑ministro António Costa.

Esta será a segunda participação de Luís Montenegro na Assembleia Geral — estreou‑se em 2024.

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