Estudo diz que híbridos plug-in podem ter emissões de CO2 até cinco vezes superiores ao esperado

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Um relatório do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) revela que os híbridos plug-in emitem muito mais CO2 em uso real do que as medições de homologação da União Europeia indicam — em alguns casos até cinco vezes mais. A diferença entre dados de laboratório e estrada cresce entre os modelos registados entre 2021 e 2023, questionando a utilidade destes veículos na redução das emissões.

Emissões reais muito acima das cifras oficiais

O estudo do ICCT mostra que as emissões médias medidas em estrada ficaram bem acima dos valores de homologação. Em 2021, as emissões reais foram, em média, 3,5 vezes superiores às cifras de certificação; em 2023 esse desvio subiu para 4,6 vezes.

Veículo em estrada com indicadores de emissões aumentadas
Medições em estrada mostram emissões muito superiores às cifras oficiais.

Em termos máximos, alguns modelos apresentaram discrepâncias de até cinco vezes em comparação com os números que constam na documentação de homologação.

Por que a lacuna entre teste e prática?

Segundo o ICCT, a principal explicação é comportamental e operacional: os veículos são carregados com menos frequência e usados menos no modo elétrico do que os pressupostos nos cálculos iniciais. Essa diferença de uso reduz substancialmente o benefício ambiental esperado.

Mãos a ligar cabo de carregamento a um carro elétrico em casa
Menos carregamentos e menos uso do modo elétrico explicam parte da discrepância.

Peter Mock, diretor do ICCT Europa, resume a contradição: “pode parecer contraintuitivo, mas o aumento da autonomia elétrica dos novos modelos não se traduziu numa maior utilização do modo elétrico na prática”.

Reputação e memória: o ICCT e o ‘dieselgate’

O ICCT ganhou notoriedade internacional ao expor irregularidades relacionadas com o chamado ‘dieselgate’, o escândalo de 2015 que revelou manipulações de emissões por parte de fabricantes. Essa experiência sustenta a credibilidade do instituto nas análises atuais.

Consequências para políticas e mercado

O relatório alerta que uma revisão do método de cálculo prevista para o próximo ano deverá alterar a forma como os híbridos plug-in são contabilizados para cumprir metas de emissões. Peter Mock adverte que isso “provavelmente reduzirá o apelo dos híbridos plug-in como ferramenta para os fabricantes cumprirem as metas europeias de emissão de CO2 para carros novos”.

“Também deverá levar a uma queda ainda maior da sua quota de mercado”, acrescentou.

Dados do próprio ICCT indicam que os híbridos plug-in representaram cerca de 10% dos registos de carros novos na Europa entre janeiro e julho de 2026, contra 9% no mesmo período do ano anterior. Os veículos totalmente elétricos atingiram uma quota de 22% no período comparável.

Contexto político: flexibilidade para a indústria

A publicação do estudo surge num momento em que os híbridos plug-in estão no centro de um debate regulatório. Fabricantes — em particular de origem alemã — defendem que estes modelos continuem a ser considerados nas estratégias europeias de descarbonização.

A pedido da Alemanha, a Comissão Europeia propôs, em dezembro, o abandono da proibição da venda de automóveis novos com motor de combustão interna em 2035. Em alternativa, a proposta prevê que os fabricantes reduzam as emissões de CO2 em 90% relativamente a 2021 e compensem os restantes 10%.

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