Pressão dos preços dos combustíveis: consumo recuou 10,3% em agosto

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O consumo de combustíveis rodoviários em Portugal caiu em agosto face a julho, enquanto os preços médios voltaram a subir, segundo dados rápidos da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). A combinação de menor procura e maior custo por litro reflete tensões no mercado internacional de petróleo.

Queda mensal do consumo

Em julho foram consumidas 564 mil toneladas de combustíveis; em agosto esse valor desceu para 506 mil toneladas, uma retração de 10,3%.

Gráfico em queda que mostra redução do consumo de combustíveis entre julho e agosto
Consumo mensal de combustíveis caiu 10,3% de julho para agosto.

A redução foi liderada pelo gasóleo, cujo consumo caiu de 422 mil para 362 mil toneladas, o que representa uma quebra de 14,2%. A gasolina simples 95 manteve-se praticamente estável, subindo ligeiramente de 125 mil para 126 mil toneladas.

Pressão sobre os preços

Em paralelo com a descida do consumo, os preços médios aumentaram em agosto. O preço do gasóleo rodoviário subiu de 1,907 euros por litro em julho para 2,029 euros em agosto. A gasolina simples 95 passou de 1,943 para 1,966 euros por litro.

Comparação desde fevereiro

Quanto à evolução desde fevereiro — mês apontado como o início da atual escalada do conflito no Médio Oriente —, o preço médio do gasóleo cresceu 27,8% e o da gasolina 95 aumentou 17,2%, conforme cálculo da Lusa com base nos dados mensais da DGEG. Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irão começaram em 28 de fevereiro.

Factores internacionais que pressionam os mercados

A oferta mundial tem sentido forte pressão devido à guerra no Médio Oriente, às restrições à navegação no Estreito de Ormuz e aos ataques a refinarias russas relacionados com a guerra na Ucrânia. A Agência Internacional de Energia (AIE) descreveu a perturbação provocada pelo conflito no Médio Oriente como a maior da história do mercado petrolífero.

Navios-tanque na rota do estreito de Ormuz, representando pressão sobre oferta mundial
O estreito de Ormuz e ataques regionais pressionam a oferta mundial de petróleo.

O estreito de Ormuz continua a ser uma rota energética crítica: em 2025 passaram por ali cerca de 25% do comércio marítimo mundial de petróleo e 19% do gás natural liquefeito (GNL), segundo a AIE.

A cotação do crude também traduz essa tensão. Com base nos mesmos dados da DGEG, o Brent passou de 53,17 euros por barril em fevereiro para 78,56 euros em agosto, uma subida de 47,8%. Só entre julho e agosto a cotação aumentou cerca de 28%.

Evolução em ano-móvel

Apesar da queda em agosto, a tendência em ano-móvel continua positiva. Nos 12 meses terminados em agosto, o consumo de combustíveis rodoviários cresceu 2% em termos homólogos.

O documento da DGEG detalha aumentos por produto: consumo de GPL auto subiu 14,6%, gasolina IO98 cresceu 5,0%, gasolina IO95 aumentou 4,4% e o gasóleo avançou 1,0% no período em análise.

Ao nível dos preços, em agosto de 2026 em comparação com agosto de 2025, o preço médio de venda ao público do gasóleo rodoviário subiu 30,2% e o da gasolina simples 95 aumentou 15,8%.

No conjunto dos combustíveis fósseis, o consumo global em ano-móvel cresceu 2,7% em agosto face ao período homólogo de 2025, com o gás natural a avançar 4,2% e os produtos petrolíferos 2,1%.

O que esperar a curto prazo

Para a próxima semana, estimativas divulgadas pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) e pela Anarec apontam para uma descida de cerca de três cêntimos por litro tanto no gasóleo como na gasolina.

A variação final dependerá ainda do valor de fecho desta sexta-feira, indicam as mesmas fontes.

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