O corpo transformado em dados. A tecnologia está a mudar a forma como praticamos desporto? O Observador mostra como relógios, anéis e sensores transformam treinos e saúde em métricas que influenciam decisões de atletas amadores e profissionais.
Relatos do Observador citam que, em 2024, cerca de 225 milhões de pessoas usavam um smartwatch e que o mercado global representava quase 43 mil milhões de euros em receitas, segundo dados aí referidos; as vendas continuaram a crescer em 2025, com um aumento de 4% citado pelo Observador com base na Counterpoint Research.
O artigo do Observador acompanha utilizadores e especialistas: Ivan Couras, um amador que dorme e treina com relógio, diz que acabou por usar os dados mais como histórico do que para decisões imediatas; o investigador Fernando Isaac alerta que “um wearable pode dar-nos informação sobre o nosso corpo, mas não deve tomar decisões pelo nosso corpo”; e a médica Paula Mosa diz que os dados devem ser vistos “como mais uma peça do puzzle” antes de qualquer diagnóstico — frases todas registadas no texto do Observador.
O corpo transformado em dados: como os wearables mudam o desporto
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Em paralelo, literatura científica avaliou a fiabilidade dos dispositivos: um estudo publicado na JMIR mHealth concluiu que os wearables mainstream medem com precisão relativa a frequência cardíaca, número de passos, distância e duração do sono, mas que a estimativa de consumo energético (calorias) apresenta erro significativamente maior — evidências e números detalhados constam do estudo.
Essa combinação — dispositivos mais fiáveis em algumas métricas e imprecisos noutras — explica porque treinadores e atletas triangulam sinais: potência, frequência cardíaca e a perceção subjetiva do esforço. O Observador mostra exemplos no ciclismo e no treino para calor, onde sensores externos e algoritmos estimam a temperatura corporal central sem medi-la diretamente, o que exige cautela ao usar esses dados para prescrever exposição.

Além da precisão, o Observador documenta o impacto social e económico: marcas como Oura e Whoop ampliaram formatos — o Observador refere que a Oura vendeu 5,5 milhões de anéis até 2025 e que a Whoop ultrapassou três milhões de membros em julho de 2026, segundo o próprio texto; o artigo também menciona preços e modelos de subscrição, incluindo valores indicados para Whoop e Oura no Observador.
Para clínicos, a nova massa de dados traz perguntas práticas: médicos de família, diz o Observador, recebem doentes sem sintomas concretos que trazem leituras do pulso e pedem orientação; a responsabilidade clínica, sublinha a médica citada, continua a caber ao médico que interpreta esses dados no contexto clínico.
O caso traz um equilíbrio: os wearables democratizam o acesso a informação que antes era apenas disponível em laboratórios, mas, como mostra a JMIR e como Observador relata com especialistas e praticantes, medir não é automaticamente compreender, e decisões de maior consequência exigem medidas validadas e contexto humano.
Sources
- Observador — reportagem que documenta testemunhos de utilizadores e especialistas, dados de mercado (225 milhões de smartwatches em 2024; €43 mil milhões em receitas; vendas +4% em 2025) e cifras de Oura e Whoop.
- JMIR mHealth — estudo comparativo sobre validade de wearables que conclui boa precisão para frequência cardíaca, passos, distância e sono, e fraca precisão para estimativa de calorias.
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