Mostrar resumo Ocultar resumo
A greve dos tripulantes de cabine da easyJet, marcada entre 2 e 6 de outubro, já provoca cancelamentos em larga escala e pode afetar dezenas de outros voos programados para as bases portuguesas. Sindicatos e companhia trocam acusações sobre substituições de tripulação e a legalidade de algumas operações durante a paralisação.
Cancelamentos confirmados e voos em risco
O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) diz que foram cancelados 443 voos das bases de Lisboa, Porto e Faro para o período da greve. Segundo a dirigente sindical Ana Dias, isso equivale a cerca de 80% da operação entre 2 e 6 de outubro.
Tripulação da easyJet em greve com previsão de perturbar pelo menos 443 voos
O corpo transformado em dados: como os wearables mudam o desporto

Além dessas cancelamentos já anunciados, existem viagens ainda programadas que podem deixar de se realizar. Ana Dias aponta mais de 30 voos no Porto, mais de 60 em Lisboa e oito em Faro como potenciais afetados.
Substituições e impasse jurídico
O sindicato denuncia que tripulações vindas de outras bases europeias, nomeadamente da França, chegaram ao Porto e poderão operar voos em substituição dos grevistas.

A Ana Dias classificou essa prática como potencialmente ilegal e alertou que o SNPVAC está disposto a recorrer aos tribunais caso chefias ou equipas externas sejam usadas para contornar a paralisação.
Em reunião com a empresa, realizada na quarta-feira, também foi discutida a possibilidade de membros das chefias serem chamados a operar voos. A easyJet afirmou que esses trabalhadores estão afetos a funções de escritório.
O que diz a easyJet
A transportadora informou ter previsto operar cerca de 55% da sua programação em Portugal durante a greve. A empresa realça que os serviços mínimos estabelecidos pelas autoridades equivalem a cerca de 22% da sua atividade com base no país.
Além disso, a easyJet explica que utiliza aeronaves e tripulações de outras bases europeias não abrangidas pela paralisação, garantindo que essa operação cumpre a legislação aplicável e que visa “minimizar o impacto para os passageiros”.
A companhia disse ainda estar “extremamente desapontada” com a realização da greve, sublinhando esforços para manter um diálogo e alcançar um acordo, e lamentou os incómodos causados aos clientes.
Reivindicações dos tripulantes
O sindicato aponta várias queixas centrais, relacionadas com organização do trabalho e progressão salarial. Entre os problemas destacados estão:
- Alterações frequentes nas escalas e falta de previsibilidade das funções diárias.
- Ausência de progressão salarial ligada à antiguidade.
- Condições debatidas na negociação do Acordo de Empresa consideradas insuficientes.
Ana Dias disse ainda que a proposta subsequente da easyJet ofereceu apenas um acréscimo salarial de 0,7%, sem disponibilidade da empresa para atender às principais reivindicações dos trabalhadores.
O SNPVAC recorda que já apresentou várias queixas à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), que resultaram em coimas aplicadas à transportadora, e interpreta isso como um elemento que reforça a legitimidade das ações sindicais.
Próximos passos
Para além da greve entre 2 e 6 de outubro, o sindicato anunciou uma nova paralisação prevista de 19 a 23 de dezembro. Se a empresa recorrer a tripulações externas ou a chefias para operar voos, o SNPVAC admite levar o caso ao tribunal.











