Em cena desde o passado dia 17 de Março 2017 , “A EXCEPÇÃO E REGRA “ está no teatro municipal do Barreiro ás Sextas e Sábados ás 21,30.
Segundo nos diz Rui Quintas o encenador deste trabalho “Brecht, era um dramaturgo que acreditava que o teatro era um veículo para despertar consciências e provocar o debate. Ele procurou um teatro vivo. Um teatro em constante comunicação com o espectador. Um teatro despido, onde tudo é assumidamente teatro, onde o fazer de conta é assumido, onde as personagens andam de mão dada com os actores e comunicam directamente com o espectador, questionando-o. Um teatro não contemplativo. Um teatro que procura fugir do quotidiano, para melhor o conseguir retratar.
O estranhamento trata-se do processo criativo e de montagem que o dramaturgo encontrou para por em prática o seu teatro revolucionário. O intuito era que o espectador, não criasse empatia com as personagens de modo a poder interpretar a peça enquanto esta decorria. Para tal, não se pretende criar grandes ilusões, tudo é feito às “claras”, as personagens são identificadas, a história é sabida desde o início, os artifícios teatrais, projectores, cabos, cenário, as roupas, a maquilhagem e todo espaço envolvente não se encontram escondidos. As personagens, falam directamente com espectador, questionam-se, funcionam como coro e entram e saem do corpo do actor frequentemente.
Por fim, a acção. A acção, tal como acontece no cinema, é fraccionada, obrigando mais uma vez o espectador a fazer parte do espectáculo, levando-o a articular a narrativa através da sua interpretação.
O cinema, era uma das paixões do autor e principalmente o cinema de Chaplin. É ao cinema e ao expressionismo que Brecht vai buscar uma das suas lentes, para trabalhar os seus textos.
A banda desenhada é a lente da nossa proposta. Actualmente, a BD já se juntou ao cinema, fundindo-se com este e desenvolvendo o “fantástico”, um género com cada vez mais adeptos.
A nossa proposta de trabalho, tem a humilde pretensão, de abordar esta “excepção e a regra” a partir de uma lente contemporânea, onde o teatro, o cinema e a BD se fundem numa sala de espectáculos. No final da nossa aventura, o espectador poderá ponderar se o melhor é seguirmos a regra ou a excepção.
E assim começa a nossa viagem…

Um comerciante rico, o seu guia e um carregador vão numa expedição de três dias até Urga, para que o comerciante consiga ser o primeiro a conseguir a concessão de um poço de petróleo. A viagem é longa e tortuosa. Terminando com o despedimento do guia e com a morte do carregador.
Na segunda parte da peça assistimos ao julgamento do comerciante e à interessante questão: devemos seguir a regra ou a excepção?
Imagine esta aventura como se as personagens tivessem acabado de sair de um livro de BD.
Imagine esta aventura como se fosse um filme, mas, em teatro. Estranho?!

 

 

CLÁUDIO ANAIA
Fotos : Arte Viva

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