O Galeão Amendoeira foi submetido a uma reparação de fundo, tendo regressado a Alcácer do Sal esta semana. A embarcação tradicional propriedade da Câmara Municipal de Alcácer do Sal encontrava-se em estaleiro para reparação desde Novembro de 2014. O Amendoeira sofreu grandes melhorias, tendo sido retirado o tabuado que se encontrava todo danificado e substituído. A mesma intervenção foi feita na proa e contra proa, na braçola do porão e algumas peças do cavername também foram substituídas. Durante a reparação feita num estaleiro em Sesimbra, foram ainda substituídos os equipamentos do wc, foram feitos melhoramentos da hélice e melhoramentos a nível elétrico e as pinturas. O Galeão esteve mais tempo em estaleiro do que o previsto, pois o real estado de conservação da embarcação estava muito pior do que se previa, ficando a descoberto quando foi retirado o tabuado.

 

Galeão Amendoeira

 

Esta embarcação tradicional tem 18,84 metros de comprimento e lotação de 50 pessoas. Foi construída em 1925, na praia da Saúde, em Setúbal, por Artur Santos. Pertenceu inicialmente à firma “Manuel Francisco Afonso Herdeiros Lda.”, operando como embarcação de tráfego local. Foi adquirido em 1972 pela empresa “Unisado – União Salineira do Sado, lda”, que vendeu o galeão, em 1984, a Henri Frank van Uffelen Elisabeth. Este submeteu-o a obras de reconversão. Em 1997 foi sujeito à retirada de alguns dos seus elementos descaracterizadores. Em 2004 foi adquirido pela Câmara Municipal de Alcácer do Sal. Naufragou no ano seguinte junto à praia “dos Fuzileiros”, em Troia, só regressando a casa em 2007 depois de uma complexa operação de resgate e do seu total restauro, com substituição do cavername, aparelhagem, motor, instalação elétrica e modernização dos sistemas de segurança. Recorde-se que a Câmara Municipal de Alcácer do Sal possui dois galeões do sal, embarcações tradicionais praticamente únicas no mundo já que das quinze que se pensa terem sobrevivido até hoje poucas se encontram a navegar e, ainda menos, no nosso país, de onde são originárias. O Amendoeira e o Pinto Luísa são pois testemunhas singulares desse passado em que o Sado era o principal motor económico da região, repleto de embarcações que transportavam mercadorias e gentes. Os dois galeões recordam também a importância do sal na história de Alcácer, batizada de Salácia Urbs Imperatoria pelos romanos, assim homenageando esse “ouro branco” que, até ao final do século XVIII, tinha nesta região a sua maior produção nacional.

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