Doze fotografias que testemunham Setúbal no século XIX, por volta de 1860, da autoria de Anthero Seabra, foram classificadas como Bem de Interesse Nacional.

A igreja de Nossa Senhora da Saúde vista do Largo dos Combatentes, as igrejas de S. Julião e Santa Maria, os Paços do Concelho, a Praça de Palhais e o antigo Liceu Municipal, o Gasómetro, o Mosteiro e Cerca de Brancanes, as ruínas do Convento de S. Francisco e quatro vistas panorâmicas da cidade são as fotografias que compõem o “Álbum Setubalense”.

Segundo Carla Barros do Centro Português de Fotografia, a raridade e qualidade das fotografias, a importância do autor e a utilização da albumina como processo fotográfico foram fatores determinantes para a classificação das películas de Anthero Seabra como Bem de Interesse Nacional.

“A albumina é um processo fotográfico utilizado com clara de ovo, sal e nitrato de prata. Estes componentes tornam o papel mais sensível ao registo de imagens, através do contacto entre o negativo e o papel”, refere a técnica, adiantando que “este tipo de suporte fotográfico é considerado raro e antigo”.

O “Álbum Setubalense” foi encontrado há vinte anos por Bruno Silva, na altura trabalhador da construção civil, no sótão de um edifício, em Lisboa, que ia ser sujeito a obras de restauro.

Presume-se, pela assinatura no interior do álbum, que tenha pertencido ao general Henrique José das Neves. Publicista e intelectual, o militar do Exército Português destacou-se ainda como editor e articulista em vários periódicos açorianos.

Anthero Frederico Ferreira de Seabra da Mota e Silva, nascido em S. Martinho, Pombal, a 22 de setembro de 1821, apaixonou-se pela fotografia no final dos anos 50, altura da sua passagem pela Academia de Belas-Artes do Porto.

Participou em diversas exposições, nomeadamente na Exposição Industrial do Porto, em 1861, e na Exposição Agrícola de Braga, em 1863. Entre 1857 e 1868 colaborou com o jornal “Archivo Pittoresco”.

Antero Seabra, falecido em Lisboa a 14 de fevereiro de 1883, com 62 anos, fotografou Setúbal, Lisboa, Coimbra, Porto, Braga, Guimarães e Viana do Castelo para registo da topografia das cidades.

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