Elas e eles, uma adorável dádiva instável,
Essência recheada da mais pura inocência,
Alvos dum indispensável amor inabalável,
Com urgência lutamos pela sua sobrevivência.
Temos modelos mentais de como protege-los,
Por ténues intervalos podemos aprisioná-los.
Tais prováveis flagelos provocam pesadelos,
Para evitar abalos poupa-se nos calos e estalos.
Permitir um jovem retrátil conectado ao portátil,
Ofuscando seus brilhos sem pegar nos rastilhos.
A mão volátil gera um carácter menos versátil,
Será educar bem filhos pô-los longe de sarilhos?
O ensinamento é antigo, assim como o castigo,
Neste cenário não se sai de dentro do armário.
Elo de amigo e amor de mãe reduz esse perigo,
O esforço é directo e diário, nunca o contrário.
Mais valores e menos factos sobre imperadores,
Sistema punho d’aço delimita mais que um traço.
Tantos rigores para fazer de crianças doutores,
Falta espaço para encaixar um carinho ou abraço.
A educação estrutural num crescimento gradual,
Ser o firme que oprime, ou o lasso que anime?
Olhamos o cariz hormonal e opinião transversal,
Resta seguir o regime que o nosso coração exprime.
Acção espontânea com aprendizagem simultânea,
A escolha é variável, mas errar é incontornável,
Decisão momentânea sob tensão contemporânea
Tudo é questionável num mundo hoje implacável.
Mauro Hilário








