Moinho de maré e envolvente paisagística da Quinta Braamcamp vão ser regenerados numa altura em que se lança o debate sobre o futuro daquele território

O debate “Quinta Braamcamp – Refletir sobre o Território” encheu, na noite de ontem, quarta-feira, 1 de fevereiro, o Auditório da Biblioteca Municipal refletindo o significado que aquela área da cidade tem para a população. Esta iniciativa, com o objetivo de refletir e recolher opiniões sobre o futuro daquele território, com reconhecido potencial, que o Município adquiriu recentemente, contou com a presença de José Mateus e Sónia Luz, da ARX Portugal Arquitectos, empresa que se encontra a coordenar o projeto de desenvolvimento da estratégia de intervenção, Filipa Cardoso, da F|C Arquitectura Paisagista, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), Carlos Humberto de Carvalho, Vereador responsável pelo Planeamento, Ambiente, Mobilidade, Gestão e Regeneração Urbana, Rui Lopo, e o Chefe da Divisão de Gestão e Regeneração Urbana, da CMB, Luís Araújo.

Esta iniciativa permitia, conforme referiu o Vereador com a Regeneração Urbana, discutirmos, participar, envolver “sobre aquilo que são os desenvolvimentos do nosso território”. Rui Lopo sublinhou a necessidade de entender aquele espaço “como um todo” – recorde-se que a Quinta Braamcamp está situada na zona ribeirinha da parcela mais antiga da cidade, com o que muitos consideram “a melhor vista para Lisboa”. “Procuramos perceber o que é que de fundamental podemos fazer”. Esta sessão (como, de resto, todas sobre esta temática) visava a definição de uma linha orientadora para o espaço envolvente, cuja regeneração ascenderá a dezenas de milhões de euros, sendo certo que, nesta altura, referiu o Vereador, encontra-se disponível um milhão de euros para investir, fruto de uma candidatura a fundos, a aplicar na recuperação do moinho de maré que existe no interior da Quinta e sua envolvente paisagística.
Rui Lopo manifestou o desejo de uma intervenção com “dimensão metropolitana”, lamentando a finitude de recursos – “mais tivéssemos a nível de fundos mais faríamos” – e recordou que “grande parte das áreas que podem transformar a cidade são privadas”. “Optámos por adquirir para podermos tomar decisões de transformação do território e não nos sujeitarmos às vontades privadas”, concretizou.

A Quinta Braamcamp está integrada numa área abrangente com cerca de 21 hectares, à escala, comparou o Chefe da Divisão de Gestão e Regeneração Urbana, da CMB, da Baixa de Lisboa ou da Baía do Rio de Janeiro. O trabalho da Autarquia tem sido feito no sentido de “aproximar o nosso centro mais histórico de toda esta frente ribeirinha”, sendo esta uma zona com restrições, fruto dos vários domínios ali existentes.
Os territórios têm que ser trabalhados “para serem interessantes”, referiu Luís Araújo. O arquiteto da CMB reconheceu a necessidade de iniciativas do género apelando à “participação mais ou menos descomprometida”, sendo desejado que no final das várias démarches do processo fosse possível perceber o que seria necessário para aquele território ficar “reestruturado”, tentado perceber os custos associados.
Naquela área, lembrou, ainda, a intervenção recente de construção de passadiços, “um projeto completamente emblemático”, que “trouxe uma pressão positiva”, criando expectativas.

José Mateus reconheceu “o potencial deste território”, “bastante mais poderoso do que eu o intuía” –  “de uma beleza absolutamente incrível”. Alertando para a necessidade de lhe “tocar com muito cuidado”, manifestou-se “absolutamente contra intervenções casuísticas, populistas”.
O responsável da ARX Portugal Arquitectos, (empresa autora do projeto da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro/Instituto Politécnico de Setúbal) sublinhou a necessidade de uma “ligação muito forte ao tecido da cidade”, “mais fluida”, e manifestou o desejo de escutar as “opiniões” e “expectativas” dos presentes sobre o local.

“Estamos a construir coisas para o nosso presente, para o nosso futuro e para o futuro de quem vem a seguir”, referiu, no encerramento, já de madrugada, o Presidente da CMB. Carlos Humberto de Carvalho admitiu a importância daquele momento: “Estamos a discutir coisas que que podem transformar o futuro do Barreiro”, desafio, que considerou “absolutamente central”.
O responsável salientou a necessidade de percecionar o território com uma “visão integrada”. Esta intervenção, avançou, “vai marcar a próxima década do Concelho do Barreiro”.

Da assistência muitas foram as ideias para o espaço em causa, sobretudo de projeção das áreas ligadas à agua – com ênfase nos desportos náutica –, reiteraram-se os espaços para usufruto da população, falou-se do potencial para atrair visitantes, atrativos culturais, elementos âncora, necessidade de assoreamento das caldeiras e do “potencial turístico”; “comunicar e aprender a comunicar o que temos de bom” – disse, a dada altura do debate, o Chefe da Divisão de Gestão e Regeneração Urbana.

O próximo debate sobre esta temática será dentro de um par de meses, altura em que já se poderão ter mais pormenores sobre as propostas de projeto.

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