O Parque Urbano do Seixal vai receber, nos dias 28 e 29 de maio, a 2.ª edição do Festival do Maio que, este ano, irá contar com alguns nomes bem conhecidos do meio artístico nacional, com destaque para o consagrado músico Sérgio Godinho. A autarquia organiza esta iniciativa que, segundo o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, “se destaca pelo discurso de intervenção, da não discriminação e da autodeterminação dos povos, pelo que constitui um momento cultural único de quem luta por uma sociedade mais justa”.

Sob a direção artística de Luís Varatojo, estas duas noites repletas de concertos têm o objetivo de fomentar propostas artísticas que tenham como elemento central do seu discurso a intervenção: da política à crítica social, do ativismo ambiental às lutas contra a discriminação de etnia e de género, passando pelas questões ligadas à defesa das identidades culturais e dos direitos à autodeterminação. A programação assenta em dois eixos fundamentais: a preservação da memória, trazendo a palco o legado histórico da música de intervenção e protesto; e as lutas atuais, dando voz a novos artistas e a novos géneros musicais.

No dia 28 de maio, sobem ao palco a cantautora setubalense Cátia Mazari Oliveira com o projeto musical A Garota Não, o músico Luís Varatojo com o projeto Luta Livre e a artista chilena Ana Tijoux, cuja fama atravessa continentes. No dia 29, será a vez das atuações de Bezegol, Sérgio Godinho e Slow J. Além das propostas musicais, haverá uma zona de street food, no recinto, cumprindo todas as normas das autoridades de saúde.

Programação:

Dia 28 de maio, sexta-feira

A Garota Não

A Garota Não é o projeto da cantautora setubalense Cátia Mazari Oliveira, que já é considerada uma das mais talentosas e interessantes artistas da nova música portuguesa. Canta o quotidiano, procurando fazer um retrato do mundo de um modo muito próprio. Pela sua voz, de forma poética e genuína, viajamos pelo amor, pelo sofrimento, mas também por uma música de intervenção do nosso tempo: são cantados problemas sociais e políticos com o objetivo de transmitir a precariedade em que a maioria dos portugueses vive, com uma visão real e crua. A Garota Não andou entre o mundo do jazz e a música popular brasileira até começar um projeto independente, que se concretizou no álbum de estreia «Rua das Marimbas n.º 7», em 2019. As suas principais influências musicais são Zeca Afonso, Sérgio Godinho e Fausto.

Luta Livre

Luta Livre é o novo projeto do músico Luís Varatojo que resulta de um olhar interventivo sobre a sociedade e a atualidade. Nas palavras do jornalista Manuel Halpern, «é música de intervenção alicerçada na melhor tradição de Zeca Afonso, José Mário Branco, Clash ou Gil Scott-Heron, mas com uma linguagem estética aplicada à vida contemporânea, feita de ecrãs, redes sociais, frases curtas e movimentos rápidos; musicalmente também responde a essa nova essência, mesclada algures entre o jazz, o pop e o hip-hop, mas sem nunca se dispersar ao ponto de pôr em causa a clareza da mensagem».

Ana Tijoux

Ana Tijoux, iniciada no hip-hop, atravessa as fronteiras do género, muito graças à poderosa trajetória como artista a solo que iniciou em 2009 e que a transformou na figura chilena de maior relevância internacional da sua geração. Com cinco discos gravados desde 2007, assim como uma agenda de turnés e festivais por mais de quinze países das Américas e da Europa, além de um Grammy Latino conquistado em 2014 e outras seis nomeações aos prémios Grammy e Grammy Latino, a artista apresenta uma carreira em que a consciência política está sempre presente no discurso e na ação. O rebentar da crise social no Chile, em 2019, fez com que iniciasse uma nova manifestação criativa que a levou a dar o nome «Antifa Dance» ao seu mais recente disco, repleto de ritmos urbanos, que pretende ser um abraço honesto para todas as pessoas que sofrem as injustiças deste sistema e que lutam contra elas.

Dia 29 de maio, sábado

Bezegol

Bezegol é um dos grandes «poetas urbanos» do panorama musical nacional e possui um timbre inconfundível e único na música que se faz em português. Reggae, hip-hop e poesia urbana são os condimentos principais do seu trabalho, que lhe valeu o prémio de «Melhor Act Nacional» num Festival Português noIberian Festival Awards 2019. O último trabalho de Bezegol e da Rude Bwoy Banda chama-se «Sete» e conta com várias participações de outros músicos e amigos, entre os quais Rui Veloso. Juntos fizeram nascer «Maria», single que tem já mais de 6,5 milhões de visualizações e airplay em varias rádios nacionais, tendo sido um sucesso de norte a sul do país.

Sérgio Godinho

Dispensa apresentações. Ao Festival do Maio, Sérgio Godinho traz «Nação Valente», o seu mais recente disco e espetáculo. Terá como pano de fundo as mais recentes criações do músico e que trouxeram colaborações com David Fonseca, Filipe Raposo, Hélder Gonçalves, Pedro da Silva Martins ou um velho companheiro, José Mário Branco, que partilharam com Sérgio Godinho as composições de uma parte significativa do seu 18.º álbum de estúdio. Às canções que compõem o disco juntar-se-ão outras, menos recentes, das mais às menos conhecidas, que por certo enriquecerão o retrato que o músico fará desta «Nação Valente».

Slow J

Aclamado pelo público e pela crítica, Slow J é, talvez, neste momento, o artista de hip-hop nacional que melhor faz a ponte entre o underground e o mainstream, tendo já conquistado uma vasta audiência. Alia as letras, intimistas e autênticas, a instrumentais poderosos e inovadores. Editou o segundo álbum, «You Are Forgiven», no final de 2019, consistindo numa narrativa musical extremamente íntima e autobiográfica. Inspirada nas experiências reais da vida de Slow J, esta obra foi concebida para converter energia negativa, provocada pela fama e pela culpa, em sucesso privado e aceitação. Fala tanto para os jovens como para os adultos, convidando-os a não pararem de sonhar e a não deixarem a ideia de sucesso aos olhos dos outros limitar os seus sonhos e a sua genuína felicidade.