O deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares apelou esta tarde ao Governo para colocar o interesse nacional acima dos interesses do PCP e do BE, na questão da Autoeuropa.
Pedro Mota Soares responsabilizou PCP e BE pela guerrilha político-partidária e por instrumentalizarem a empresa e os seus trabalhadores.
“Sr. Presidente
Sras. e Srs. Deputados
Quantas vezes não ouvimos dizer que o que Portugal precisa é mais uma Autoeuropa:
Por causa da importância estratégica para a nossa economia – colocou Portugal no centro do cluster do automóvel;
Por causa da importância para as nossas exportações – o valor total das exportações da fábrica representa 1% da riqueza total produzida em Portugal;
Por causa do emprego que gera – mais de 5.700 postos de trabalho, muitos deles qualificados, num clima de flexibilidade, de paz laboral que têm sido um exemplo para muitos, dentro e fora de Portugal.
Ora, em 2014, quando o Governo anterior anunciou que se tinha conseguido trazer para Portugal um novo contrato de investimento para uma nova linha de montagem – cerca de 700 m€ de investimento, cerca de 1.500 novos postos de trabalho e quase duplicar as exportações da fábrica de Palmela – o que verdadeiramente se tratava era trazer para Portugal mais uma Autoeuropa.
Este investimento é vital para Portugal.
Garante que Portugal terá uma presença no sector automóvel – um sector em rápida transformação – nas próximas décadas; garante que as mais de 100 empresas portuguesas que fornecem a Autoeuropa mantêm a sua capacidade produtiva; garante a possibilidade de manutenção e criação de 1.500 novos postos de trabalho.
Mais. Garante que Portugal pode ser um país estável, fiável, confiável para o investimento estrangeiro.
Neste momento tudo isto está em risco.
Não somos nós que o dizemos:
É o representante das comissões de trabalhadores que teme que a produção do novo modelo possa ir para outras fábricas do grupo, fora de Portugal;
É o Ministro do Trabalho, que nas horas vagas tem de assumir a pasta da Economia, e que afirma que este impasse põe a empresa em risco;
É o próprio Presidente da República, que já fez um apelo à paz social na empresa, com tudo o que isso representa para o país.
A Autoeuropa, por irresponsabilidade de alguns agentes políticos, não pode ter o mesmo fim que a Opel da Azambuja teve – fechar as portas e partir para outras latitudes. É isso que pode estar em risco de acontecer e as consequências para Portugal seriam graves demais.
É por isso que daqui fazemos um apelo veemente ao Governo e aos partidos que o suportam (PS, PCP, BE e PEV):
- não usem a situação laboral da Autoeuropa para ter avanços e recuos no acordo de Governo >> isso seria totalmente irresponsável;
- não instrumentalizem uma empresa e os seus trabalhadores numa altura em que está em causa o futuro de um investimento de mais de 700m€, capaz de duplicar sua capacidade de produção >> isso seria atentar contra os interesses nacionais;
- não ponham em causa mais de 5.000 empregos; uma parte significativa das nossas exportações; uma fatia grande da produção nacional, só para obrigar o Governo e os parceiros sociais a cedências noutros lados >> isso seria ter uma política de terra queimada.
A prioridade máxima do Governo devia ser:
- Garantir que a situação da Autoeuropa é definida, de forma livre, em diálogo social, pelos seus trabalhadores e não através da ingerência de partidos políticos ou forças sindicais estranhas e exteriores à empresa;
- Garantir que o investimento na Autoeuropa e a produção do novo modelo ficam em Portugal, sem que isso tenha de significar mais cedências ao PCP ou ao BE;
- Garantir que a imagem de Portugal como um país amigo do investimento, com uma legislação laboral moderna, flexível, que valoriza o diálogo e a paz social não saia beliscada.
Sr. Ministro da Economia – esteja onde estiver;
Sr. Ministro do Trabalho;
Sr. Primeiro-Ministro, que sempre que há más noticias prefere estar longe e ao largo,
Entre o interesse de Portugal e os interesses do PCP ou do BE, escolham sempre o interesse nacional”.
https://vimeo.com/247179104
Fonte: CDS







