Cerca de 4000 alunos, dos 5.º e 6.º anos, e mais de 500 professores, de 62 escolas de todo o País, incluindo as ilhas, concluíram a sua formação em linguagem de programação Scratch no âmbito do projeto GEN10S Portugal, uma parceria entre a SIC Esperança, a Google.org e a fundação Ayuda en Acción, que contou com o apoio do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), a quem coube a conceção e coordenação nacional do curso.

 

A conclusão da fase de implementação do projeto a nível nacional, que arrancou oficialmente em outubro de 2017, foi assinalada no passado dia 21 de junho, em Lisboa, no evento GEN10S Party, com apresentação de resultados e entrega de brindes e certificados aos participantes.

 

Na ocasião, Miguel Figueiredo, um dos docentes do Centro de Competências TIC da Escola Superior de Educação (ESE/IPS) que coordenaram o processo de formação, fez um balanço desta missão “muito difícil, mas também muito entusiasmante e gratificante”, que começou com uma fase piloto implementada em quatro escolas de Setúbal e Lisboa.  “Coube-nos construir e testar os materiais e a própria metodologia do projeto, e depois passar essa informação para os nossos parceiros dos Centros de Competências TIC e dos Centros de Formação de Professores que trabalharam connosco no projeto, sendo que cada um deles encontrou, quer os professores Scratch, quer as turmas com quem veio a trabalhar”. 

 

O projeto, que pretendeu promover a igualdade de oportunidades na área digital e reduzir barreiras socioeconómicas e de género, teve também as virtudes de fomentar a criatividade e a autonomia, “dando às crianças a liberdade de transformarem as suas ideias e projetos em produtos digitais concretos, em vez de serem apenas consumidoras de tecnologia”, bem como a cooperação, já que “a própria metodologia assentava no trabalho colaborativo, cada um dos alunos contribuindo com as suas competências e ideias”, sublinhou ainda o docente.

 

Na hora do balanço, Mercedes Balsemão, presidente da SIC Esperança, destacou as componentes de “integração social e tecnológica e de inovação educacional” do GEN10S, felicitando o IPS pelo trabalho de formação dos professores. “Foi um curso muito bem estruturado e muito motivador, contemplando a parte da introdução à técnica, os trabalhos individuais e depois toda a dinâmica dos trabalhos em grupo. Estamos todos de parabéns!”, concluiu.

 

Maria Carreira e Francisco Daniel, do Agrupamento de Escolas Álvaro Velho, no Barreiro, foram alguns dos alunos que puderam testemunhar, na primeira pessoa, esta aventura de aprender a programar na escola. “Foi uma experiência muito divertida, aprendi a fazer projetos, a fazer jogos. É como se tivéssemos a ver televisão, por exemplo, ou a jogar no telefone. Ajudou-me muito nas outras disciplinas. Deu-me mais curiosidade, empenho”, explicou Maria, que quer ser médica. Já para o colega Francisco, que sonha ser programador informático, este projeto foi especialmente importante: “Gostei muito de ver as minhas personagens a fazer o que eu imaginei e aprendi um bocadinho de Matemática e também de Ciências, porque o meu projeto foi sobre um tubarão e tive que conhecer a dieta deste animal”.

 

Maria Margarida Encarnação, professora de uma escola do Barreiro, que teve a seu cargo uma das seis turmas envolvidas no projeto, realçou a recetividade dos alunos, que “foi de 100 por cento”, e elogiou “o apoio aos docentes, o acompanhamento, a formação, que foi excelente”, bem como a programação Scratch, “uma ferramenta de trabalho impressionante, com muitas potencialidades para explorar os vários conteúdos programáticos”.

 

Por seu turno, Bernardo Correia, diretor da Google Portugal, incitou os mais novos a “nunca deixar de sonhar” e a usar os computadores, “não para distração e entretenimento, mas como forma de materializar a vossa criatividade, de criar coisas que nunca existiram até agora”.

 

 

 

Créditos das imagens : SIC Esperança