As nossas cidades têm de ser saudáveis. Transformar os locais onde vivemos, para que promovam saúde de todas e todos nós, tem, obrigatoriamente, de ser uma prioridade por parte do poder local.

Os determinantes da saúde vão muito além daquilo que é observado imediatamente. É importante, mas insuficiente, a inauguração de centros de saúde ou novos hospitais. São igualmente necessárias políticas multisetoriais, que envolvam as dimensões da habitação, mobilidade, ambiente, educação, condições laborais e espaços públicos tanto seguros como atrativos para as crianças brincarem.

Sem um planeamento adequado, se deixado apenas à mercê das forças do mercado, provoca uma dinâmica causadora de tendências viciosas de desigualdades urbanas e em saúde. A provisão de ambientes saudáveis, como redução do trânsito automóvel ou a criação de uma rede de jardins, tem efeitos positivos na equidade em saúde. No entanto, é importante garantir que não se promova um “privilégio ambiental”, ou desigualdades no acesso a ambientes saudáveis. 

As diferenças nos rendimentos das pessoas, na escolaridade e nas profissões, aumentam as divisões no acesso à habitação, localização e espaço envolvente. As desigualdades sociais produzem e reproduzem assim o seu efeito na saúde urbana, ao expor algumas pessoas a ambientes menos saudáveis. Não é fácil desfazer o que foi feito nos últimos anos. Em muitos casos nem é aconselhado seja feito. Ao nivelar por cima, garantimos o envolvimento de toda a comunidade, na consecução dos objetivos de trazer saúde e acesso a espaços saudáveis para todos os residentes do concelho. A saúde e a equidade caminham lado a lado. A gentrificação não pode ser a consequência da melhoria do espaço público. Quem está nas margens dos ciclos de crescimento não deve ser duplamente penalizado.

Quando pedimos a construção de mais e melhores espaços verdes, não estamos apenas a pedir uma cidade mais bonita, estamos a pedir uma cidade mais saudável. Quando dizemos que o rio deve ser devolvido às pessoas, não é apenas por lazer, é para melhorar a saúde de todos. Por fim, quando afirmamos que devemos ter mais ciclovias e retirar carros das nossas estradas, não é apenas o ambiente que ganha, é a nossa saúde.

O consenso construído em redor do paradigma de saúde em todas as políticas, obrigam-nos a repensar a forma como pensamos as diferentes dimensões da cidade. O planeamento urbano tem de ter a promoção da saúde como objetivo final. Tem de promover a saúde mental, desincentivar a utilização do carro em detrimento de meios suaves ou andar a pé, sem esquecer os transportes públicos. O sedentarismo representa globalmente 7% das mortes prematuras e tem um custo de 54 mil milhões dólares. É urgente alterar este paradigma e podemos começar já, nas nossas cidades e nos nossos bairros. Nós merecemos viver em locais que promovam a saúde, vamos construir políticas que acompanhem e alcançar um Seixal saudável.

Mário André Macedo – Enfermeiro Graduado