Mercado de eletrônicos cresce 5% em 2025: o que isso muda para você

O mercado global de bens tecnológicos de consumo registou uma recuperação em 2025, com valorização em dólar que surpreendeu analistas, mas as perspetivas para 2026 são de forte cautela. Dados revelados pela consultora GfK, durante a conferência que assinala os 30 anos da empresa, apontam para um ano de transição, marcado por riscos geopolíticos e mudanças no comportamento dos consumidores.

Em entrevista à Lusa, o diretor-geral da GfK explicou que, apesar de uma desaceleração nas unidades vendidas, o setor cresceu em termos de valor graças a segmentos de maior preço e ao comportamento das taxas de câmbio.

Segundo a GfK, o mercado alcançou um volume financeiro de 857 mil milhões de dólares em 2025 — um crescimento de cerca de 5% em relação ao ano anterior. Esse desempenho, notou a consultora, foi impulsionado sobretudo por categorias de produtos premium.

Para 2026, a previsão é muito mais contida: a GfK estima um aumento de apenas 0,4% no valor total global. A empresa aponta várias incógnitas que podem condicionar esse cenário, entre elas a evolução da inteligência artificial nos produtos, novas dinâmicas económicas e tensões geopolíticas.

Os riscos imediatos mencionados incluem o agravamento do conflito no Médio Oriente, com impacto potencial sobre o preço do petróleo. Alterações no custo energético e no transporte tendem a repercutir-se ao longo da cadeia, desde a produção até o preço final ao consumidor.

Recordando a perturbação provocada pela pandemia, o diretor-geral alertou para o efeito em cascata de problemas logísticos: quando fábricas encerram ou os fretes disparam, o restabelecimento da oferta pode demorar e pressionar margens.

  • Regiões e previsões para 2026:

    • China: queda estimada de 6%.
    • Resto da Ásia: crescimento tendendo a “flat” (praticamente estagnado).
    • Europa de Leste, Médio Oriente e África: crescimento previsto em cerca de 4%.
    • Europa Ocidental, América do Norte e América Latina: expansão na ordem dos 3%.

  • Principais incertezas: preço do petróleo, risco de inflação, custos logísticos e avanços tecnológicos inesperados.

Na conferência “30 anos a decifrar o mercado”, que decorre hoje no Museu do Oriente, em Lisboa, a GfK promove uma retrospectiva do setor e convida especialistas para debater desafios futuros. O encontro reúne executivos e investigadores para cruzar perspetivas de negócio, indústria e inovação.

Entre os intervenientes estão António Casanova, CEO da Unilever FIMA e Gallo Worldwide, que falará sobre estratégias de crescimento num mercado em transformação; Daniel Ribeiro, diretor executivo da AGEFE, que abordará o impacto local das dinâmicas globais na indústria eletrodigital; e Carlos Manuel Oliveira, pesquisador em “humantech AI futures”, com uma palestra sobre como a inteligência artificial pode alterar o panorama dos bens de consumo.

A leitura da GfK é clara: o valor total do mercado manteve-se robusto graças a produtos de maior preço, mas o futuro imediato depende de variáveis externas — desde conflitos geopolíticos até a adopção de novas tecnologias — que podem limitar o poder de compra dos consumidores e pressionar margens ao longo da cadeia.

Para empresas e retalhistas, o desafio será equilibrar investimentos em inovação e gestão de custos, enquanto monitoram sinais macroeconómicos que podem transformar uma recuperação em estagnação.

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