Segurança pode acelerar inovação, alerta António Gameiro Marques

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António Gameiro Marques, presidente do 35.º congresso da APDC, coloca a segurança no centro do debate sobre a transição digital da Europa e aponta-a como possível força motriz da inovação. Em entrevista à Lusa, defende que tratar a segurança como um elemento inicial de qualquer projeto é essencial para proteger cidadãos e potenciar novos produtos.

O Digital Business Congress realiza-se nos dias 6 e 7 de maio, no Fórum Tecnológico de Lisboa (LISPOLIS), sob o lema “A Europa na Era Digital — O Equilíbrio entre Soberania, Segurança e Inovação”. O encontro promete discutir políticas, investimentos e perceções sociais num momento em que decisões tecnológicas têm impacto direto sobre direitos, economia e democracia.

Segurança desde o desenho

Para Gameiro Marques — ex-diretor-geral do Gabinete Nacional de Segurança — a reflexão sobre segurança não pode ser secundária. Quando um produto ou serviço é idealizado, segundo o responsável, é mais eficaz começar desde logo a integrar mecanismos que o tornem seguro para os utilizadores e eficientes em termos de recursos.

Essa abordagem, que evita retrabalhos e custos adicionais, transforma a segurança de uma obrigação em uma vantagem competitiva: “a segurança pode também impulsionar a inovação”, resume o presidente do congresso, afirmando que a proteção de infraestruturas críticas e a cibersegurança são áreas onde essa dinâmica já se manifesta.

O que estará em debate no congresso

Além de painéis técnicos, o encontro incluirá discussões sobre documentos recentes da União Europeia que mapeiam áreas prioritárias de investimento para reforçar a soberania digital europeia. Uma das sessões convidará o autor principal desse relatório para explicar conclusões e recomendações.

  • Datas e local: 6–7 de maio, Fórum Tecnológico de Lisboa (LISPOLIS).
  • Temas centrais: soberania digital, segurança, inovação e formação.
  • Público-alvo: decisores, especialistas em cibersegurança e jovens interessados em política tecnológica.
  • Destaque: apresentação de um relatório europeu que identifica sete áreas-chave para investimento.

Juventude e soberania: uma incógnita

Gameiro Marques coloca uma questão crítica: qual a prioridade que os mais novos atribuem à soberania digital? Enquanto gerações mais velhas reconhecem o conceito, o presidente sugere que muitos adolescentes podem valorizar apenas o acesso a redes sociais, sem se preocupar com onde os seus dados são armazenados ou quem os controla.

“Se a resposta for que não dão importância, estamos a falhar”, afirma, sublinhando que compreender essa perceção é crucial para desenhar políticas e campanhas de literacia digital eficazes.

Riscos para a democracia

O presidente cita dados do Freedom House para contextualizar um problema mais amplo: a erosão da democracia em várias partes do mundo. Entre as causas apontadas está a migração do consumo informativo para plataformas sociais, onde algoritmos reforçam conteúdos que agradam ao utilizador, em vez de priorizar fontes fidedignas.

Nesse cenário, as pessoas acabam por ver “o mundo pelo buraco da fechadura”, numa expressão que ilustra a fragmentação informativa e a perda do debate contraditório — fatores que, na visão de Gameiro Marques, fragilizam o exercício democrático.

Formação como resposta

Como estratégia prática para mitigar riscos, o presidente do congresso defende investimento em formação. Há cursos e recursos disponíveis, presenciais e online, mas a adesão nem sempre é a desejada: muitos potenciais formandos preferem navegar nas redes sociais em vez de se atualizarem sobre segurança digital.

Para inverter essa tendência, o responsável defende que a oferta de formação não deve ficar a cargo sempre dos mesmos promotores e que é preciso criar incentivos e formatos mais apelativos para diferentes públicos.

Entre os pontos que o congresso espera abordar estão a necessidade de integrar segurança desde o desenho de produtos, o papel das políticas europeias na promoção da soberania digital e as estratégias para envolver os jovens na discussão sobre o futuro digital do continente.

O debate em Lisboa reúne propostas práticas e perguntas incómodas: como equilibrar inovação rápida com proteção dos cidadãos? E que instrumentos a Europa precisa para afirmar autonomia tecnológica sem perder competitividade? As respostas dependerão, em grande parte, das escolhas de investimento e da capacidade de formar utilizadores e profissionais para um ecossistema digital mais seguro.

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