Até domingo, uma simulação educativa de missão a Marte transforma o Observatório do Lago Alqueva, em Reguengos de Monsaraz, num laboratório a céu aberto onde nove estudantes europeus testam rotinas científicas e operacionais semelhantes às de uma expedição espacial. O exercício visa aproximar jovens do ensino secundário à investigação prática e reforçar o interesse por carreiras nas áreas de ciências e tecnologia.
No terreno marcado como “superfície marciana”, duas das participantes saem da base para uma saída extraveicular curta, equipada com fatos negros que imitam os trajes reais. Em cerca de uma hora recolhem amostras de solo que serão inoculadas em placas de ágar-ágar e incubadas para procurar sinais de microrganismos.
A atividade não é isolada: toda a operação é acompanhada em tempo real por uma equipa na chamada sala de operações, com comunicações por rádio e múltiplas câmaras. O objetivo é que os estudantes aprendam protocolos de campo, cadeia de custódia de amostras e como documentar experiências para análise laboratorial posterior.
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Os participantes têm entre 14 e 18 anos e foram selecionados por colegas e professores. Entre eles está Francisco Bártolo, aluno do 10.º ano em Paredes, que descreve a experiência como decisiva para a sua escolha profissional: quer dedicar-se à área espacial e considera a simulação uma oportunidade única de trabalhar com técnicas científicas reais.
O exercício faz parte do projeto europeu EXPLORE, financiado pelo programa Erasmus+, que tem como meta levar prática investigativa sobre a exploração espacial para as salas de aula e fomentar aptidões em ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.
Entre os promotores estão o Fórum Espacial Austríaco, a ONG portuguesa NUCLIO, a escola grega Ellinogermaniki Agogi, o comité científico COSPAR e o próprio Observatório do Lago Alqueva. No terreno, vários edifícios replicam uma estação espacial e uma sala de operações, enquanto o exterior simula a superfície a explorar.
Rosa Doran, presidente do NUCLIO, explica que a organização privilegia métodos de aprendizagem activos: os alunos “aprendem fazendo”, desenvolvendo competências que vão além do programa curricular e que já permitiram, por exemplo, que estudantes participassem em descobertas de asteroides e na medição de curvas de luz de exoplanetas.
Para Gernot Grömer, diretor do Fórum Espacial Austríaco e astronauta analógico certificado, a iniciativa é uma versão adaptada das missões científicas analógicas profissionais. Em vez de ambientes extremos como desertos remotos, o formato here foi ajustado para manter o rigor científico e ao mesmo tempo ser acessível e motivador para jovens.
O impacto educacional é imediato: durante menos de 24 horas muitos estudantes ficam totalmente imersos nas rotinas de investigação, aprendendo a trabalhar em equipa, a seguir protocolos e a comunicar resultados — competências valorizadas em carreiras científicas e tecnológicas.
- Local: Observatório do Lago Alqueva, Reguengos de Monsaraz (Évora).
- Quando: Simulação em curso até domingo.
- Participantes: Nove estudantes do ensino secundário de Portugal, Áustria e Grécia.
- Objetivo: Recriar procedimentos de terreno e laboratório usados em missões análogas a Marte.
- Parceiros: Fórum Espacial Austríaco, NUCLIO, Ellinogermaniki Agogi, COSPAR e OLA.
- Métodos: Saídas extraveiculares (EVA), recolha de solo, inoculação em placas de ágar e incubação para detecção microbiana.
Além do aspecto formativo, o projeto fornece dados sobre como adaptar fluxos de trabalho científicos a equipas jovens — informação útil para futuros programas educacionais e para organizações que planificam missões análogas. Para os estudantes, a experiência também funciona como teste de aptidão e motivação para carreiras em investigação espacial.
O ambiente escolhido — entre a vila medieval de Monsaraz e as margens da albufeira de Alqueva — oferece condições seguras e controladas que facilitam a replicação de desafios práticos, sem perder a componente de realismo que torna a atividade envolvente e educativa.












