Fraudes digitais disparam em Santarém e impulsionam crimes locais

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O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2025, apresentado pelo Governo a 31 de março, volta a colocar o aumento das fraudes digitais no centro das preocupações: crimes que antes entravam pela porta agora chegam pelo telemóvel. A mudança de modus operandi tem impacto direto em famílias e comerciantes e exige respostas rápidas das autoridades e maior literacia digital entre os mais vulneráveis.

Santarém mostra deslocamento para o crime tecnológico

No distrito de Santarém a criminalidade registada subiu de 14 005 participações em 2024 para 14 430 em 2025, um acréscimo de cerca de 3%. O ponto mais preocupante são as burlas informáticas ligadas a aplicações de transferência de dinheiro: cresceram 25,8%, totalizando 507 casos.

Os golpes descritos no relatório variam de chamadas de alegados funcionários bancários a pedidos urgentes através de mensagens e redes sociais — muitos pressionam a vítima a autorizar transferências ou a fornecer códigos. Notícias locais indicam ainda que a GNR recebeu, em 2025, três queixas no distrito relacionadas com falsas chamadas de bancos, envolvendo vítimas entre os 50 e os 73 anos.

Também aumentam furtos e incêndios

Além do avanço das fraudes online, o RASI aponta subida significativa de crimes mais tradicionais: os furtos em residência com arrombamento registaram uma subida de 34,6%, enquanto os incêndios florestais e em zonas agrícolas cresceram 21,2%. O resultado é um cenário de dupla vulnerabilidade — física e digital — que exige respostas distintas mas coordenadas.

Indicador Valor 2024 Valor 2025 Variação
Participações criminais — distrito de Santarém 14 005 14 430 +3,0%
Burlas informáticas (apps de pagamento) 507 casos +25,8%
Furtos em residência com arrombamento +34,6%
Incêndios em floresta, mata ou seara +21,2%

Para leitores preocupados com a segurança pessoal e patrimonial, algumas medidas práticas podem reduzir riscos imediatos.

  • Verifique sempre a identidade de quem contacta: bancos não solicitam códigos ou autorizações por telefone.
  • Active alertas e PINs nas aplicações de pagamento e limite transferências por dispositivos desconhecidos.
  • Eduque familiares mais velhos sobre mensagens urgentes e pedidos de ajuda que peçam ações rápidas.
  • Reforce medidas físicas de proteção em casa e mantenha vigilância em pontos vulneráveis da propriedade.
  • Participe em iniciativas locais de prevenção e reporte comportamentos suspeitos às forças de segurança.

Autoridades consultadas no RASI defendem uma combinação de prevenção comunitária, presença policial reforçada nos locais mais afetados e campanhas claras de informação, sobretudo dirigidas a idosos e pessoas com menor literacia digital. Sem estas ações coordenadas, o relatório alerta que o avanço das formas digitais de crime poderá continuar a acelerar.

O retrato traçado pelo RASI 2025 mostra que a segurança pública mudou de formato: proteger bens e pessoas hoje passa tanto por cadeados e alarmes como por passos simples no telemóvel. Entender essa mudança é o primeiro passo para limitar perdas e aumentar a resiliência das comunidades.

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