Na tarde de sexta-feira, a SpaceX levou a cabo o 12.º voo de teste da nova configuração da Starship a partir da Starbase, no Texas, após suspender uma tentativa de lançamento no dia anterior. O resultado chama atenção imediata: a nave chegou ao espaço e colocou cargas em órbita, mas enfrentou falhas técnicas que podem ter impacto direto no calendário da NASA e nos planos financeiros da própria empresa.
O estágio superior da Starship terminou a missão com um pouso no Oceano Índico depois de perder um dos seis motores Raptor durante o voo. Antes da queda, a nave lançou 20 satélites de teste da rede Starlink e mais dois satélites com tecnologia atualizada, cumprindo parte dos objetivos previstos pela empresa.
Em transmissão ao vivo, engenheiros informaram que a equipe não conseguiu reiniciar um dos motores no vácuo — uma manobra que fazia parte dos parâmetros de sucesso da missão. O propulsor Super Heavy, por sua vez, separou-se como programado, mas terminou caindo de forma descontrolada no Golfo do México minutos após a decolagem.
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SpaceX confirma sucesso no 12.º voo de avaliação da Starship V3 depois de revés
O que a missão entregou — e o que ainda falta
- Conquistas: subida até a fronteira espacial; lançamento bem-sucedido de 22 satélites (20 de teste da Starlink e 2 atualizados); estreia da configuração V3 para ambos os estágios.
- Falhas técnicas: perda de um motor entre os seis Raptor do estágio superior; ausência de reinício do motor no vácuo, objetivo não alcançado.
- Recuperação do booster: o Super Heavy não foi recuperado — pouso não controlado no Golfo do México.
A configuração testada agora representa a versão mais potente construída até aqui pela empresa de Elon Musk. O ensaio surge poucos dias depois de a SpaceX ter anunciado planos para abrir capital, o que torna resultados e falhas tecnológicas relevantes também para investidores e reguladores.
Para a comunidade espacial, porém, o caso ganha outra dimensão: a NASA acompanha de perto o desenvolvimento da Starship porque depende da versão Block 3 para o transporte de tripulação até a superfície lunar na missão Artemis. A agência já havia adiado a missão tripulada, originalmente prevista para o final de 2026, para meados de 2027, citando atrasos relacionados ao foguete.
O programa da SpaceX tem alternado avanços e retrocessos. Em março de 2025, um voo de teste terminou em explosão cerca de dez minutos após a decolagem, episódio que também provocou restrições temporárias ao tráfego aéreo sobre a Flórida e partes do Caribe. A concorrência no setor segue intensa — entre os adversários está a Blue Origin, que propõe o sistema Blue Moon como alternativa para missões lunares.
As próximas etapas serão centradas em análises técnicas e em certificações. A SpaceX deverá divulgar relatórios internos e colaborar com autoridades regulatórias para apurar as causas da falha do motor e do pouso não controlado do booster. Esses procedimentos poderão influenciar janelas de lançamento futuras, cronogramas de testes e, potencialmente, o ritmo de preparação da Starship para missões tripuladas.
O que observar nas próximas semanas: resultados das investigações, decisões da FAA/autoridades competentes, atualizações sobre o calendário da NASA para a Artemis e qualquer impacto nas intenções de oferta pública da SpaceX. A evolução desses pontos dirá se o voo de sexta-feira será visto como um passo importante no refinamento do sistema ou como mais um ajuste necessário em um programa ainda em maturação.












