Um estudo recente do instituto económico Ifo revela que quase 20% das empresas alemãs que já adotaram ferramentas de inteligência artificial veem como “fácil” ou “muito fácil” substituir trabalhadores com formação superior por colaboradores sem diploma apoiados por IA. Os resultados, obtidos numa amostra de 3.000 empresas, acendem alertas sobre mudanças práticas na contratação, formação profissional e nas exigências do mercado de trabalho.
A investigação mostra também que mais de metade das empresas inquiridas — 54,5% — já integra a IA em processos internos, mas as opiniões sobre a capacidade dessas ferramentas varia conforme o tipo de substituição em causa.
Segundo a economista do Ifo Anna Ruffert, a tecnologia está a remodelar funções laborais e, em determinadas atividades, pode reduzir a necessidade de qualificações formais; ainda assim, a substituição completa continua controversa entre os empregadores.
Alcanena recebe cartas de longe: sessão dia 11 às 17h
IA ameaça empregos qualificados: 20% das empresas alemãs dizem poder substituir licenciados
Em termos práticos, o relatório distingue duas possibilidades: substituir profissionais com educação superior por trabalhadores menos qualificados apoiados por IA, e substituir trabalhadores experientes por novos colaboradores sem experiência, também assistidos por IA.
| Setor | Substituição de licenciados (%) | Substituição de experientes por inexperientes (%) |
|---|---|---|
| Comércio | 28,6 | 22,9 |
| Serviços | 19,7 | 14,5 |
| Indústria transformadora | 14,6 | 12,6 |
| Construção | 9,3 | 7,7 |
Os dados do Ifo apontam que o setor do comércio é o mais propenso a considerar a substituição de trabalhadores com formação superior via IA, seguido pelos prestadores de serviços. A tendência mantém-se praticamente idêntica independentemente do porte das empresas.
Apesar das porcentagens acima, a maioria das empresas que já usam IA permanece céptica quanto à substituição completa de competências qualificadas. Mais de 55% classificam como difícil ou impossível trocar um trabalhador com formação técnica ou superior por alguém com menos qualificação apoiado por IA; quando se trata de trocar um profissional experiente por um novato com suporte tecnológico, essa oposição sobe para cerca de 62,7%.
Para leitores preocupados com o futuro do emprego, há implicações concretas: mudanças nas estratégias de recrutamento, maior ênfase em programas de formação contínua e possíveis impactos salariais em ocupações mais automatizáveis. Autoridades e empresas vão precisar de avaliar políticas de requalificação e normas laborais à medida que a adoção da tecnologia avança.
- Amostra: 3.000 empresas inquiridas, segundo fonte oficial do Ifo contactada pela Lusa.
- Integração da IA: 54,5% das organizações já usam ferramentas de IA em processos internos.
- Percepção geral: maioria considera limitada a capacidade da IA para substituir totalmente qualificação e experiência.
O relatório do Ifo não prevê cenários definitivos, mas descreve uma realidade em transição: a tecnologia ganha espaço nas rotinas empresariais, enquanto persiste uma reserva quanto à substituição integral do capital humano qualificado. Para trabalhadores, empregadores e decisores públicos, a principal pergunta deixa de ser se a IA vai afetar o emprego e passa a ser como gerir essa transformação.












