LiveModeTV ultrapassa a Globo e se posiciona em Portugal com Ronaldo, Mundial 2026 e Benfica

Mostrar resumo Ocultar resumo

A entrada em força da LiveModeTV em Portugal está a reordenar o mapa das transmissões futebolísticas: a plataforma anunciou a emissão gratuita de 34 jogos do Mundial 2026 pelo YouTube, contou com Cristiano Ronaldo entre os investidores e firmou uma parceria estratégica com o Benfica. Estas movimentações colocam questões práticas e regulatórias sobre quem e como vai transmitir o futebol nos próximos meses.

O modelo que vem do Brasil

No Mundial 2026 haverá 104 partidas — um número sem precedentes — e, segundo a plataforma, 34 serão transmitidas gratuitamente no YouTube, na Amazon Prime e na Disney+. Em contraste, canais portugueses como RTP, SIC e TVI detêm direitos apenas para cerca de 20 jogos. No Brasil, a LiveModeTV é a única plataforma que diz ter assegurado a transmissão de todas as 104 partidas.

Essa experiência brasileira funciona como um laboratório. A LiveModeTV começou como um canal de streams e cresceu até conseguir negociar direitos digitais que antes eram ignorados pelos grandes operadores. O sucesso no Brasil tornou possível replicar o modelo noutros mercados, agora também em Portugal.

Parcerias em Portugal: Benfica e Cristiano Ronaldo

Horas depois de publicar uma mensagem nas redes sociais sobre os amigáveis do Benfica diante do Flamengo e do Villarreal, a LiveModeTV e o clube anunciaram um acordo rotulado de “parceria estratégica” ligado ao Mundial 2026. O Benfica explicou que a cooperação prevê a partilha de conteúdos exclusivos e promoção das plataformas digitais de ambas as entidades.

Cristiano Ronaldo tornou‑se sócio da LiveModeTV no início de maio. O jogador descreveu a aposta como uma missão para “levar o desporto a todos” e aumentar o alcance das competições através de transmissões no YouTube e de conteúdos nas redes sociais.

O que muda para o espetador

Para quem assiste, as diferenças já são evidentes. A transmissão da LiveModeTV privilegia comentários e formatos mais informais, em vez da narração tradicional. A equipa inclui rostos conhecidos para o público português, entre eles nomes ligados a conteúdos digitais e desportivos.

Uma vantagem clara é a gratuidade: ao contrário dos canais por subscrição, as partidas anunciadas podem ser vistas sem pagar directamente, desde que haja ligação à internet. Há, porém, inconvenientes. O principal é a latência das streams — o chamado delay — que pode roubar a espontaneidade de golos e momentos decisivos quando espectadores em diferentes aparelhos não estão sincronizados.

Regulação e críticas

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) já reconheceu a entrada da LiveModeTV no mercado português e exigiu o seu registo como órgão de comunicação social. A decisão baseou‑se na verificação de características próprias de um serviço editorialmente organizado e na difusão regular de conteúdos audiovisuais, incluindo transmissões em direto do Mundial.

Nem todos recebem bem a mudança. O CEO da Media Capital, proprietária da TVI e da CNN Portugal, criticou a posição da Google por apoiar a chegada da LiveModeTV a Portugal. Em declarações citadas na imprensa, apontou que a FIFA terá pedido valores elevados pelos direitos, referindo que, em março, a exigência era de cerca de 430 mil euros por jogo para transmissão televisiva.

Raízes do projeto: da CazéTV ao novo formato

A história da LiveModeTV remonta a iniciativas de streaming no Brasil. Fundada por Sérgio Lopes e Edgard Diniz, com a participação de Casimiro Miguel, a estratégia inicial passou por segmentar direitos e explorar canais digitais — YouTube e redes sociais — para chegar diretamente ao público.

Em 2022 nasceu a marca CazéTV, que ganhou projeção ao transmitir jogos do Mundial do Catar pela internet. Episódios como a transmissão com milhões de espectadores ao vivo ajudaram a demonstrar a viabilidade do modelo e a convencer detentores de direitos a aceitar formatos alternativos de distribuição.

O que permanece incerto

Ficam perguntas em aberto. A Sport TV continua a afirmar‑se como a única plataforma a deter direitos para toda a competição em Portugal, mas a presença da LiveModeTV, com apoio de figuras influentes e acordos com clubes, pode alterar propostas futuras de distribuição. Também não há confirmação total sobre se os amigáveis do Benfica no Torneio do Algarve serão transmitidos pela LiveModeTV.

O cenário mostra um setor em transformação, em que os direitos digitais e as parcerias com criadores e clubes desafiam modelos tradicionais. Para os espectadores, a mudança pode traduzir‑se em mais oferta e maior acessibilidade — com vantagens e novos inconvenientes técnicos — e em debate intenso sobre regulação e equilíbrio de mercado.

Dê o seu feedback

Seja o primeiro a avaliar este post
ou deixe uma avaliação detalhada



Distrito Online é um meio independente. Apoie-nos adicionando-nos aos seus favoritos do Google News:

Publicar um comentário

Publicar um comentário