Em França, calor extremo provoca cortes nas festas e restrições ao álcool

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Uma vaga de calor que cobre grande parte de França levou ao cancelamento de festas, ao fecho de escolas e a restrições em espaços públicos, enquanto as temperaturas podem atingir os 42°C. Mais de metade da população do país está sob avisos meteorológicos e as autoridades pedem cuidado extremo.

Alerta nacional e previsões

As autoridades francesas colocaram 35 dos 96 departamentos no alerta máximo, nível reservado a situações com risco para a vida, e outros 45 em aviso laranja. No total, cerca de 53 milhões de pessoas — mais de três quartos da população — estão abrangidas por alertas por calor.

A Météo-France classificou a vaga como de “severidade e duração excecionais”. Em várias regiões, as temperaturas podem passar dos 40°C e atingir até 42°C ou mais, segundo as previsões. Também o índice nacional de calor, calculado a partir das temperaturas diurnas e noturnas em 30 estações meteorológicas, deverá registar o valor mais elevado de sempre.

Eventos públicos e restrições locais

A tradicional Fête de la Musique sofreu cortes e alterações em várias cidades. Concertos agendados antes das 19h00 foram cancelados ou transferidos para espaços interiores e, em áreas com alerta vermelho, autarquias proibiram o consumo de bebidas alcoólicas na rua.

Em muitos municípios, a venda de álcool em eventos organizados pela câmara foi suspensa como medida preventiva. Em Paris, sob alerta vermelho, as restrições foram concentradas nas margens do Sena e no Canal Saint‑Martin: bebidas de maior teor alcoólico foram proibidas nesses locais, numa decisão justificada pelo risco aumentado de quedas à água numa noite de multidões e calor.

A capital manteve bares, cafés e esplanadas licenciadas a funcionar, mas reforçou o policiamento e os serviços de emergência para a noite da festa.

Preparação e resposta das autoridades

O Governo advertiu que não espera um alívio imediato. “Não vemos as temperaturas a descer antes do fim da semana”, afirmou o ministro da Ecologia, Mathieu Lefèvre, apelando à prudência e a “muitas precauções”.

Em Paris foram mobilizados quase 5.000 agentes das forças de ordem e cerca de 2.500 profissionais de emergência e saúde. A cidade instalou mais de 1.300 fontes públicas de água gratuitas e criou uma rede de mais de 1.500 estabelecimentos onde é possível encher garrafas sem cobrança.

Escolas, transportes e serviços

O impacto chegou também ao calendário escolar: o ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou que mais de 800 estabelecimentos não abririam na segunda-feira por causa das temperaturas extremas, e outros 1.800 alteraram horários de aulas e exames finais.

Nos transportes, a operadora ferroviária pública aconselhou que passageiros mais vulneráveis adiassem deslocações de comboio sempre que possível. Jean Castex, responsável pela operadora, alertou que os sistemas de ar condicionado e outras infraestruturas estão a ser colocados sob forte pressão.

Acidentes e vítimas

As autoridades reportaram a morte de quatro crianças, com idades entre os 11 e os 17 anos, em acidentes de natação ocorridos no sábado. Duas dessas mortes aconteceram no rio Doubs, em Besançon, numa zona onde o banho estava proibido.

As previsões indicam que a vaga de calor deverá prolongar‑se nos próximos dias, com pouca probabilidade de uma descida significativa das temperaturas antes do fim da semana.

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