A população de gado na União Europeia voltou a cair em 2025, segundo dados do Eurostat divulgados esta terça‑feira, mantendo uma trajetória de redução que se estende desde meados da última década. A tendência afeta suínos, bovinos, ovinos e caprinos e chega num momento em que a Comissão prepara, para 7 de julho, uma nova **Estratégia para a Pecuária** com objetivo de reforçar a resiliência e a competitividade do setor.
O serviço estatístico europeu contabilizou, no conjunto da UE, quedas anuais em todas as categorias principais de gado. Estas variações não são pontuais: refletem uma evolução contínua que levanta questões sobre oferta, renda das explorações e dinâmica rural.
Dados chave para 2025
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| Espécie | População (2025) | Variação vs 2024 | Variação vs 2015 |
|---|---|---|---|
| Suínos | 131,5 milhões | -0,5% | -8,9% |
| Bovinos | 71,6 milhões | -0,4% | -9,7% |
| Ovinos | 55,3 milhões | -2,2% | -12,2% |
| Caprinos | 10,2 milhões | -2,5% | -17,5% |
O Eurostat sublinha que, comparando com 2015, todos os efetivos apresentam recuo: os **caprinos** são os que registam a maior redução percentual em dez anos, enquanto suínos e bovinos também mostram descidas significativas.
A dimensão económica do setor continua elevada: segundo a porta‑voz da Comissão Europeia para Agricultura, o conjunto da pecuária contribui de forma substancial para o valor acrescentado agrícola e para o volume de negócios da UE. Ainda assim, nos últimos anos o número de explorações tem vindo a diminuir.
Entre os factores apontados para essa erosão estão a maior exposição a fenómenos climáticos extremos, a volatilidade dos mercados, surtos de doenças animais e pressões sociais relacionadas com sustentabilidade e bem‑estar animal. Estas realidades tornam mais difícil a viabilidade de explorações de pequena e média dimensão.
Porque isto importa agora: uma contracção sustentada do parque pecuário pode ter impacto na disponibilidade de produtos como carne, leite e queijo, na estrutura do emprego rural e na capacidade da UE de responder a choques externos no comércio agroalimentar.
Na tentativa de travar ou mitigar esses efeitos, a Comissão prepara a apresentação da Estratégia para a Pecuária a 7 de julho. O documento promete medidas para tornar o sector mais resiliente e competitivo dentro e fora da União Europeia, mas faltam ainda detalhes sobre instrumentos de apoio, cronogramas e possíveis condicionantes ambientais.
Reações do terreno tendem a sublinhar que qualquer estratégia eficaz terá de conciliar produtividade com exigências ambientais e sociais, além de oferecer soluções práticas para a rentabilidade das explorações.
O Eurostat continuará a publicar dados que permitem acompanhar a evolução dos efectivos; para produtores, consumidores e decisores, os próximos meses serão determinantes para perceber se a tendência de perda de gado será contida ou acelerada.












