O Vitória de Guimarães anunciou hoje que arrecadou 23,1 milhões de euros no mercado de transferências de verão, gastando apenas 2,4 milhões — um resultado que deixa o clube com um saldo positivo imediato e amplia as opções financeiras para esta temporada. A divulgação das contas coincidiu com o lançamento de um portal de transparência no site oficial, onde o clube detalha as operações e deduções aplicadas.
Do montante bruto de 23,1 milhões, as duas vendas de maior destaque foram as dos internacionais sub-21: Noah Saviolo e Diogo Sousa, negócios que representam a fatia mais significativa das receitas. Mas a cifra final disponível para o clube foi reduzida por mecanismos obrigatórios, comissões e cláusulas de participação de antigos clubes.

- Noah Saviolo — transferido para o Trabzonspor por 11,5 M€. Após 575 mil euros de mecanismo de solidariedade, quase 2 M€ de comissão (incluindo participação de agentes como Jorge Mendes) e outros encargos, o rendimento líquido foi cerca de 7 M€. A SAD mantém 20% sobre a mais-valia numa futura transferência.
- Diogo Sousa — vendido ao Strasbourg por 11 M€, potencialmente acrescido de até 4 M€ em objetivos. Foram deduzidos 550 mil euros de solidariedade e 1,8 M€ em comissões, resultando numa receita líquida aproximada de 8,65 M€. O clube fica ainda com 10% do valor líquido numa futura venda.
- Dieu‑Merci Michel — saída para o Dubai United por 500 mil euros, com receita líquida de cerca de 363 mil euros.
- Lebedenko — venda de 50% do passe ao Arouca por 122 mil euros, líquida em cerca de 116 mil euros.
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Somando estas operações, a receita líquida total das transferências apresentou-se em 16,1 milhões de euros, já descontadas as contribuições e comissões. Com um investimento de 2,4 milhões na aquisição de jogadores, o saldo do mercado ficou em 13,7 M€ a favor do clube.
Na rubrica de compras, o maior desembolso foi pela contratação de Victor Andersson ao AIK, por 700 mil euros, seguido de Arnel Jakupovic (600 mil euros) — operação em que o Osijek assegura 30% numa futura transferência. Houve também custos menos óbvios: a intermediação na chegada de Alanzinho custou 400 mil euros à MRP Positionnumber apesar do jogador ter assinado como agente livre.
Outros movimentos e custos relevantes:
- Empréstimo de Borevkovic (Samsunspor) — custo de 330 mil euros, com opção de compra fixada em 500 mil euros.
- Yeimar Mosquera — comprado ao Aston Villa por 250 mil euros.
- Adams Koné (Benfica Campus Côte d’Ivoire) — 25 mil euros; Sander Dahle (ex‑Viking) — 40 mil euros. Estes dois foram atribuídos à equipa B (Liga 3).
O relatório público explica ainda que parte dos valores brutos foi destinada a clubes formadores — por exemplo, o Lille recebeu 10% em virtude de ter participado na formação de Saviolo — e a agentes, cujos encargos reduziram substancialmente as entradas líquidas.
Por que isto importa agora? O resultado positivo dá ao Vitória margem para equacionar prioridades: amortizar compromissos, reforçar posições sem comprometer sustentabilidade financeira ou preservar recursos para janelas futuras. A existência de cláusulas de mais‑valia e percentagens sobre vendas futuras também significa que parte do potencial financeiro do clube continuará dependente de transferências subsequentes dos jogadores vendidos.

O que ficam os adeptos e a gestão:
- Maior conforto orçamental no curto prazo e possibilidade de reforços condicionados às prioridades desportivas;
- Risco reduzido de pressão imediata nas finanças, mas dependência de futuras vendas para ganhos adicionais;
- A transparência pública das operações tende a reforçar a responsabilização sobre comissões e cláusulas contratuais.
O clube promete que o portal de transparência manterá estes dados atualizados, permitindo aos sócios e à comunicação acompanhar a evolução das receitas, dos encargos e das cláusulas associadas às transferências.











