O Novo Ano chegou e é hora de fazermos balanços, as notícias recentes ou não, dão-nos conta da crise económica, dos momentos de necessidade que os portugueses têm passado, das preocupações ambientais, da estratégia em busca de soluções, pois, é preciso encontrar saídas para os nossos problemas e/ou apreensões. Nem, tão pouco, vamos permanecer indiferentes perante o que acontece ou está para acontecer.

Movidos por um sentimento de luta e de instabilidade procuramos sentir outros ventos e pode ser que 2017, para o bem ou para o mal, nos dê respostas para as nossas inquietações.

A Central Nuclear de Almaraz é uma das nossas preocupações a nível ambiental.

Trata-se da mais antiga central de Espanha, está obsoleta, com prazo técnico e tecnológico expirado, e ainda em atividade, devia ter fechado em 2010, e como tal, exige-se, o seu encerramento e o seu desmantelamento.

É uma central perigosa e o governo espanhol prolongou o seu funcionamento alargando a licença de atividade por mais 10 anos, ou seja, até 2020.

São cada vez mais as vozes que delatam os riscos associados a uma central fora de prazo, que já sofreu imensas avarias devido a problemas técnicos e deficiências no funcionamento, que por sinal, nunca foram muito bem clarificados.

Situada, a 100 km da fronteira portuguesa, a central nuclear, que, para além, de usar as águas do Rio tejo para a sua refrigeração, em caso de um acidente será um problema grave para Portugal, uma vez que, a radioatividade não conhece fronteiras e pode ser transmitia quer, através da água, quer pelo ar, devastando a sua biodiversidade. Tornando-se numa ameaça e num risco iminente.

Os sucessivos governos portugueses têm fechado os olhos a este problema, não se “intrometendo” nas decisões do estado espanhol, e com esta passividade estão a contribuir para o prolongamento da vida desta central espanhola.

Soube-se, entretanto, que o Governo espanhol deu luz verde à construção de um armazém para resíduos nucleares na central de Almaraz, através de uma resolução da Direção-Geral de Política Energética e Minas do Ministério da Energia.

Este projeto do consórcio que explora esta central nuclear, e que integra a Endesa e a Iberdrola, leva-nos a acreditar que estão a prepararem-se para alargar o período de funcionamento da central de Almaraz, uma vez que os tanques onde atualmente são armazenados os combustíveis usados nos reatores expiram em 2019, pretendendo-se, assim, que este armazém de resíduos fique construído até 2018.

Perante esta situação, o senhor Ministro do Ambiente informou, que a confirmar-se, que o Governo espanhol tomou mesmo a decisão de licenciar a construção do armazém de resíduos nucleares em Almaraz, não participará na reunião agendada para o dia 12 deste mês, porque, segundo o Ministro Matos Fernandes, não iria aprovar uma decisão que Espanha já tomou, incumprindo uma diretiva comunitária.

Nesta senda, nós, PEV – Partido Ecologista “Os Verdes” apelamos para que o Governo português seja mais pro-activo, no que toca a esta matéria, e pugne pelo cumprimento da Resolução da Assembleia da República nº 107/2016, que recomenda ao Governo português intervenção junto do Governo espanhol para o encerramento da central nuclear de Almaraz.

O Governo português deve manifestar a sua total oposição à construção deste armazém de resíduos e combustíveis da central nuclear, e afirmar que os reatores nucleares de Almaraz já ultrapassaram o seu prazo de validade há vários anos.

Neste contexto, é pertinente recordar, ainda, que, nos termos do acordo de Madrid, celebrado entre o Portugal e Espanha, em fevereiro de 2008, Portugal tem uma palavra ativa no que se refere à Central Nuclear de Almaraz, porque no âmbito de impactos transfronteiriços temos direito a uma efetiva participação no processo decisório.

O legado do desastre nuclear de Fukushima de 2011 não deve ser esquecido, deve servir como experiência para a segurança nuclear em todo o mundo. Tudo deve ser feito para impedir que um acidente como este ocorra novamente.

Os graves acidentes nucleares não são história do passado, mas sim algo bem presente que todos temos a responsabilidade de temer e de agir.

Todos nós sabemos que o nuclear não é uma energia limpa nem segura, por isso temos o direito de reclamar por uma vida mais segura!

O PEV – Partido Ecologista “Os Verdes”, que há mais de 30 anos insiste nesta luta, continuará empenhado, na Assembleia da República e fora dela, pelo fim gradual da energia nuclear e pelo encerramento da central nuclear de Almaraz.

 

 

Jorge Manuel Taylor

*Dirigente Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.

 

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