Ano após ano crescem as dificuldades no acesso à saúde no Centro de Saúde de Corroios. O Centro de Saúde de Corroios funciona num prédio de habitação adaptado, com quatro andares e que não reúne as condições para a prestação de cuidados de saúde. Apesar das obras de requalificação a que foi sujeito, estas não permitiram ultrapassar inúmeros constrangimentos diários para profissionais e utentes. Por exemplo, as acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida não estão asseguradas. Nem sequer tem um elevador!

Atualmente o Centro de Saúde de Corroios tem somente oito médicos de família, quando seriam necessários pelo menos o dobro, atendendo ao elevado número de utentes sem médico de família, que se estima serem cerca de 20 mil utentes (corresponde a quase 2/3 dos utentes inscritos neste centro de saúde). Mas os constrangimentos são de tal forma graves, que mesmo recrutando mais médicos, o Centro de Saúde não dispõe de mais espaços para colocar esses médicos. As agendas para as consultas programadas estão totalmente preenchidas para os próximos três meses.

Há salas nos pisos superiores que estão inoperacionais devido às frequentes inundações causadas pelo mau estado das instalações. Os profissionais de saúde que desempenham funções no Centro de Saúde de Corroios são confrontados diariamente com situações que induzem enorme pressão no trabalho, havendo já sinais de cansaço extremo.

A carência de profissionais de saúde, para além de comprometer a prestação de cuidados de saúde de qualidade, conduz também a uma sobrecarga de trabalho para esses trabalhadores que atualmente desempenham funções neste centro de saúde.

A construção das novas instalações para o Centro de Saúde de Corroios em terreno disponibilizado pelo Município do Seixal é urgente. Há muito que os utentes, comissão de utentes de saúde e autarquias têm reivindicado a construção de novas instalações, de forma a assegurar melhores cuidados de saúde aos utentes desta freguesia com cerca de 50 mil habitantes.

Em 2007, a construção do novo Centro de Saúde de Corroios foi considerada prioritária e que seriam contempladas verbas no PIDDAC. Em 2011 foi aprovado o plano de funcionamento do novo Centro de Saúde de Corroios. E em março de 2016 a Presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) afirmou que não havia disponibilidade financeira para a realização deste investimento.

Os anos vão passando e a construção das novas instalações para o Centro de Saúde de Corroios tem sido sucessivamente adiada pelos vários Governos, agravando a situação em cada ano que passa.

Em alternativa à construção do novo equipamento, tivemos conhecimento de que a ARSLVT estará à procura de instalações provisórias para o Centro de Saúde de Corroios, atendendo a que as atuais estão completamente obsoletas. Esta solução transitória exige também a realização de investimento no que toca à elaboração de projeto, realização de obras de adaptação do espaço e pagamento de renda.

Atendendo à boa gestão de recursos públicos e à maximização da resposta deste centro de saúde, importa avaliar se é mais vantajoso avançar agora numa solução transitória ou avançar já no processo de construção do novo Centro de Saúde de Corroios. Parece evidente que face à dimensão do problema, de falta de condições de serviço, bem como de claro subdimensionamento do atual equipamento, que a melhor solução será a construção de um novo equipamento de raiz.

Os deputados do PCP, Paula Santos, Francisco Lopes e Bruno Dias, quiseram saber se a construção das novas instalações do Centro de Saúde de Corroios é uma prioridade para o Governo e, de acordo com a prioridade atribuída pelo governo para a construção do novo Centro de Saúde de Corroios, para quando está prevista a sua concretização.

Também perguntaram qual o ponto de situação sobre a eventual opção de encontrar instalações provisórias para o Centro de Saúde de Corroios, se já foi encontrado o espaço e qual a disponibilidade financeira do governo para investir nesta solução provisória.

Os deputados comunistas questionaram o Governo sobre o que justifica avançar para uma solução transitória, com recurso a dinheiros públicos que poderiam ser já canalizados para a construção das novas instalações do Centro de Saúde de Corroios.

Mais ainda perguntaram por que razão o Governo não apresenta uma candidatura a fundos europeus para a construção do novo Centro de Saúde de Corroios e que medidas pretende o governo tomar para reforçar o número de profissionais de saúde em falta.

O Gabinete de Imprensa da DORS do PCP

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