A catarata é uma doença oftalmológica que se caracteriza pela perda de visão, lentamente progressiva, de um ou ambos os olhos. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é a principal causa de cegueira reversível em todo o mundo. 

O olho humano funciona como uma máquina fotográfica. Os raios luminosos provenientes do exterior atravessam a córnea (a superfície mais externa do olho), passam através do cristalino (uma estrutura arredondada e transparente, daí o seu nome), que permite focá-los na retina. A retina, por fim, possui uma camada de células fotorrecetoras que levam esta informação ao cérebro. Num olho saudável, com um cristalino transparente, os raios luminosos são todos transmitidos com nitidez à retina. Quando o cristalino fica mais opaco e rígido, ou seja, quando se desenvolve a catarata, a imagem é transmitida com menor qualidade e a visão piora.

Quais os fatores de risco para desenvolver catarata?

Esta doença ocorre sobretudo devido ao normal envelhecimento, embora possa ocorrer mais precocemente em associação com outras patologias oftalmológicas ou sistémicas. A miopia, algumas cirurgias oftalmológicas prévias, a diabetes mellitus, tratamentos com corticóides ou traumatismos, podem aumentar o risco de desenvolvimento de catarata. 

Que sinais sugerem a existência de catarata?

As cataratas causam diminuição progressiva da visão, podendo envolver a visão de longe e perto, a visão cromática, podem causar deslumbramento ou halos noturnos (à volta dos faróis de veículos, por exemplo) ou visão dupla no olho afetado. A progressão para estadios mais avançados pode levar à perda visual severa, com impacto significativo nas atividades de vida diárias: como ler, ver televisão ou mesmo conduzir.

Consultar o oftalmologista é fundamental quando surgem estes sintomas?

A observação especializada permite reconhecer se já se desenvolveu catarata e excluir outras doenças oftalmológicas significativas, que também possam contribuir para a perda visual. Como em todas as especialidades médicas, também na Oftalmologia a pandemia COVID causou uma diminuição no número de consultas, em parte devido ao receio das pessoas de se deslocarem a uma unidade de saúde. No entanto, é fundamental realçar que todas as entidades de saúde elaboraram cuidadosamente protocolos e circuitos que permitem maior segurança para os doentes. Considerando que a catarata é uma doença evolutiva, protelar a observação e aconselhamento pelo oftalmologista, implica comprometer progressivamente a visão.

Como tratar a catarata?

Não é possível prevenir nem tratar cataratas com recurso a fármacos. A cirurgia é a única opção, sendo eficaz, rápida e segura. Fruto dos avanços tecnológicos e científicos que têm ocorrido ao longo dos últimos anos, este é o procedimento cirúrgico mais realizado em todo o mundo. Foi em 1967, que o cirurgião norte-americano Charles Kelman, desenvolveu a técnica de facoemulsificação como a conhecemos hoje. Esta técnica consiste na destruição e aspiração da catarata na sua totalidade com recurso a um sistema de ultrassons, sendo colocada uma lente intraocular definitiva, que permite uma maior independência de óculos após a cirurgia. Estas lentes intraoculares podem ser monofocais (corrigindo apenas a visão de longe) ou lentes de foco alargado e multifocais (permitindo melhorar a amplitude de visão: longe, intermédio e mesmo perto). O LASER é uma tecnologia que pode auxiliar em cataratas mais complexas. 

A cirurgia pode ser feita sob anestesia geral, embora a maioria dos procedimentos seja realizada sob anestesia tópica (através da colocação de colírios no olho), permitindo uma cirurgia indolor e diminuindo o tempo de permanência hospitalar. Naturalmente, a pandemia veio alargar o tempo de espera cirúrgico e, por esse motivo, ossistemas de cooperação de listas de espera entre o Sistema Nacional de Saúde e entidades privadas ganham ainda maior importância – como é exemplo os vales-cirúrgicos que podem ser utilizados na Clínica CUF Almada para tratamento da catarata, garantindo que os doentes possam ver reduzido o seu tempo de espera, ser operados em segurança e sem encargos adicionais.

A visão é um dos sentidos mais importantes: até 80% de toda a informação que nos rodeia é transmitida através da visão. Cuidar da saúde visual é essencial para garantir qualidade de vida e bem estar.

Sandra Rodrigues Barros

Oftalmologista na Clínica CUF Almada