O Sindicato Nacional de Motoristas anunciou que vai avançar, entre os dias 8 e 17 de agosto, período em que decorrem as Festas do Barreiro, com uma greve parcial nos Transportes Coletivos do Barreiro, que irá afetar a circulação dos autocarros a partir das 20h e até ao último serviço de cada dia.

O Sindicato Nacional dos Motoristas exige alterações nos horários das refeições e das rendições dos motoristas dos TCB. Manuel Oliveira, representante do SNM, explicou que apesar de existirem negociações com a autarquia estas têm tido “poucos resultados”.

Para o sindicalista, por “uma razão de bom senso e de equilíbrio”, a administração deveria “criar condições para que os trabalhadores consigam tomar as refeições num horário previamente estabelecido”, uma vez que “sobretudo à noite, a partir de uma certa hora não existem locais que sirvam refeições abertos”.

Em relação às rendições, Manuel Oliveira defendeu que a autarquia “obriga os funcionários a trabalharem gratuitamente ao prescindirem de uma parte do tempo que têm para as refeições para efeitos de deslocação”. “As deslocações são consideradas tempos de trabalho e não são para serem retiradas aos tempos de descanso e, enquanto este problema não for resolvido, vamos ter o conflito instalado”, sublinhou o sindicalista, que pondera “avançar judicialmente” contra os serviços municipalizados caso a administração municipal não recue.

Manuel Oliveira deixou ainda fortes críticas à administração da autarquia, presidida por Carlos Humberto.

“O partido comunista na Assembleia da República defende uma coisa, mas na prática é pior do que o governo”, realçou.

O representante do SNM destacou que a greve foi marcada a partir das 20h para “prejudicar o menos possível a população do Barreiro” e que esta ação de luta foi “votada por unanimidade num plenário, em que estiveram presentes sócios dos restantes sindicatos”. Manuel Oliveira afirmou ainda que que está convicto de que a greve terá muita adesão, apesar de representarem apenas um terço dos trabalhadores, devido ao “cansaço dos motoristas” em relação às condições laborais.

Rui Lopo, vereador da Câmara Municipal do Barreiro, defendeu que as alterações pretendidas pelo SNM em relação às refeições “não são praticadas em nenhuma atividade profissional”. E, em relação às rendições, afirma que esta é uma situação que tem vindo a ser uniformizada, apesar da existência de um conjunto de limitações legais na administração, por se tratar de uma empresa pública.

Para o vereador, o avanço para a greve é uma “decisão muito fragmentada na própria estrutura dos trabalhadores” e, por isso dificilmente terá “um impacto expressivo”. “Tenho dúvidas de que a maior parte dos trabalhadores tenha uma visão muito positiva sobre a convocação desta greve, apesar de as greves serem um direito inalienável”, reiterou.

Para além de afetar a vida das pessoas do Barreiro, Rui Lopo defendeu que a greve, a ocorrer “desprestigia o setor, a classe e os serviços”. O vereador não se revê “na forma, nem no conteúdo do pré-aviso de greve”, que foi colocado no dia em que foi assinado com o SNM um acordo para a manutenção das 35 horas de trabalho.

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