Medo do governo: controlo sobre a única refinaria nacional ameaçado pelo acordo entre Galp e Moeve

Mostrar resumo Ocultar resumo

O Governo admite ter recebido com preocupação a proposta de parceria entre a Galp e a espanhola Moeve por temer a perda do controlo nacional da refinaria de Sines. Com as negociações agora encerradas, a ministra do Ambiente e Energia diz que o Executivo vai manter vigilância sobre eventuais novos acordos, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de reforçar investimentos para a descarbonização.

Preocupação oficial e acompanhamento próximo

Maria da Graça Carvalho afirmou em Torres Vedras, à margem do 3.º Encontro Nacional do Pacto de Autarcas para o Clima e Energia, organizado pela ADENE, que o Governo acompanhou “muito de perto” as movimentações em torno do processo. A ministra explicou que, embora haja vantagem em criar massa crítica nas refinarias para permitir investimentos na transição energética, existia o receio de que a única refinaria do país deixasse de estar sob controlo nacional.

Ministra numa conferência a falar sobre energia e clima
Maria da Graça Carvalho comentou as negociações e a vigilância do Governo.

“Vamos acompanhar”, disse ainda a ministra, referindo-se à possibilidade de surgirem outras parcerias no futuro.

Porque o acordo não avançou

Na sexta-feira, a Galp confirmou o fim das negociações com a Moeve. A petrolífera recordou que, após um acordo não vinculativo anunciado a 08 de janeiro com os acionistas da Moeve, a Mubadala Investment Company e o grupo Carlyle, as partes mantiveram conversações aprofundadas, sem conseguir chegar a um entendimento que viabilizasse a operação.

Em comunicado, a Galp garantiu que a interrupção das negociações não afetará as operações em curso nem a confiança no potencial de valorização autónoma do seu portefólio downstream, e reiterou o compromisso com a transformação das suas atividades industriais e comerciais.

Resultados financeiros e resposta do Executivo

No mesmo dia, a petrolífera divulgou resultados do terceiro trimestre que mostram um aumento homólogo de 68% nos lucros, até aos 682 milhões de euros. Para a ministra, esse desempenho reforça a decisão do Governo de avançar com uma tributação sobre lucros extraordinários do setor.

Instalações de refinaria com gráficos financeiros sobrepostos
Resultados trimestrais da Galp reforçaram debate sobre tributação de lucros.

Maria da Graça Carvalho justificou a medida em termos de justiça social e declarou esperar que o projeto de lei correspondente “passe em breve na Assembleia da República”.

Posição da Galp: aberta, mas sem busca ativa de parceiro

Durante uma conferência com analistas sobre os resultados trimestrais, o copresidente executivo João Diogo Marques da Silva explicou que a Galp não está atualmente à procura ativa de um novo parceiro para os negócios de refinação e comercialização. Ainda assim, sublinhou que a empresa se mantém disponível para avaliar potenciais operações no futuro.

“Estaremos preparados para analisar potenciais operações, mas neste momento não estamos a procurar ativamente uma transação no mercado”, afirmou o responsável.

Aposta na transição e reestruturação interna

O Governo valorizou a intenção da Galp de continuar a investir em produtos verdes, nomeadamente em hidrogénio verde e biocombustíveis avançados. Maria da Graça Carvalho também acolheu positivamente a iniciativa da empresa de separar a operação de retalho da atividade industrial da refinaria, com a criação de uma entidade dedicada à refinaria.

Segundo a ministra, essa distinção facilitaria um foco mais direto do Estado sobre a refinaria, sem prejuízo das ambições de transformação e de consolidação setorial anunciadas pela Galp.

Dê o seu feedback

★★★★★

Seja o primeiro a avaliar este post
ou deixe uma avaliação detalhada



Distrito Online é um meio independente. Apoie-nos adicionando-nos aos seus favoritos do Google News:

Publicar um comentário

Publicar um comentário