Dois terços dos portugueses duvidam da capacidade das autoridades nacionais para gerir incêndios, cheias e outras catástrofes, revela um Eurobarómetro publicado na sexta-feira. O resultado coloca Portugal entre os países da União Europeia com maior desconfiança nas estruturas de resposta — e eleva a discussão sobre coordenação e preparação a nível nacional e europeu.
O inquérito mostra uma desconfiança generalizada em diferentes níveis de governação. Em Portugal, 66% dos inquiridos afirmam que as autoridades nacionais não estão bem preparadas para enfrentar desastres naturais, um dos valores mais elevados da UE.
Esse índice situa-se atrás apenas de Chipre, Lituânia e Grécia, que registaram percentuais superiores. Por outro lado, apenas 28% dos portugueses consideram as autoridades nacionais “bastante bem preparadas”, abaixo da média europeia, que ronda os 40%.
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Quando a avaliação recai sobre as autoridades locais ou regionais, o receio aumenta: 69% dos portugueses dizem que estas entidades não estão bem preparadas — a segunda maior percentagem da União Europeia, a par da Lituânia e abaixo apenas da Grécia.
Sentimento de vulnerabilidade pessoal também é elevado: 66% dos entrevistados em Portugal não se sentem preparados para enfrentar uma catástrofe na área onde vivem, valor que só fica atrás do observado na Grécia.
Resumo rápido dos principais números (Portugal)
- 66% — acreditam que as autoridades nacionais não estão bem preparadas
- 28% — consideram as autoridades nacionais “bastante bem preparadas”
- 69% — desconfiam da preparação das autoridades locais/regionais
- 66% — não se sentem pessoalmente preparados para emergências
- 58% — consideram as autoridades a nível global bem preparadas
- 97% — apoiam que a UE ajude a coordenar respostas a desastres
- 94% — defendem que os Estados‑membros se apoiem mutuamente em catástrofes
Apesar do ceticismo sobre autoridades nacionais e locais, os portugueses mostram confiança relativa em mecanismos de âmbito mais amplo: 58% consideram que organizações a nível internacional ou global estão bem preparadas para lidar com desastres.
Há também uma adesão quase unânime à intervenção da União Europeia: 97% dos entrevistados em Portugal consideram importante que a UE auxilie na coordenação da resposta a catástrofes, e esse mesmo nível de apoio surge quando se pergunta sobre um reforço futuro das ações de coordenação do bloco.
A Comissão Europeia comentou os resultados, sublinhando que o Eurobarómetro revela um apoio muito forte a uma abordagem coordenada a nível europeu — nomeadamente à ideia de que os Estados-membros devam prestar assistência mútua quando uma crise excede a capacidade de resposta de um país.
O sinal mais claro do estudo é a combinação entre falta de confiança local e apelo à ação conjunta: os cidadãos querem mais solidariedade, melhor preparação e respostas coletivas mais eficazes perante fenómenos que atravessam fronteiras.
Este Eurobarómetro foi realizado entre 26 de maio e 15 de junho de 2026. No total, participaram 26.456 europeus; em Portugal foram efetuadas 1.060 entrevistas.











