Um estudo recente realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que o uso livre de ferramentas de inteligência artificial em trabalhos acadêmicos pode diminuir a capacidade dos estudantes de lembrar o conteúdo semanas depois. A descoberta ganha relevância agora, quando assistentes como ChatGPT e outros modelos estão cada vez mais presentes no cotidiano escolar e universitário.
O experimento, conduzido pelo pesquisador André Barcaui, envolveu 120 alunos universitários divididos em dois grupos: um teve liberdade para usar o ChatGPT ao preparar um trabalho sobre inteligência artificial; o outro adotou métodos tradicionais de estudo. A pesquisa foi publicada recentemente no periódico Social Sciences & Humanities Open.
Os participantes realizaram a atividade inicial e, sem aviso, foram submetidos 45 dias depois a um teste sobre o mesmo tema. Os resultados mostraram diferença nas notas médias e no tempo dedicado à tarefa original.
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| Grupo | Tempo médio para o trabalho (horas) | Nota média no teste surpresa (0–10) | Número de participantes |
|---|---|---|---|
| Com uso de IA (ChatGPT) | 3,2 | 5,75 | ~60 |
| Sem uso de IA (método tradicional) | 5,8 | 6,85 | ~60 |
A diferença nas notas — cerca de um ponto em favor dos estudantes que não usaram IA — e o contraste no tempo gasto sugerem que a ajuda automática pode reduzir o esforço cognitivo durante a elaboração do trabalho. Para Barcaui, isso tende a comprometer a consolidação da memória a longo prazo.
Segundo o autor, estratégias pedagógicas precisam aproveitar as vantagens das ferramentas digitais sem abrir mão do engajamento mental exigido para aprendizagens duradouras. Em outras palavras, integrar a IA não pode significar substituir etapas essenciais do processo de estudo.
- Para professores: revisar formatos de avaliação, priorizando tarefas que exijam produção original e recuperação ativa do conteúdo.
- Para alunos: usar assistentes de IA como apoio, mas praticar também técnicas que reforcem a memória — por exemplo, resumos sem consulta e testes autoadministrados.
- Para instituições: definir políticas claras sobre uso de IA e investir em formação docente para incorporar a tecnologia de forma crítica.
O estudo não pretende demonizar a tecnologia: a redução do tempo de preparo mostra que ferramentas como o ChatGPT podem aumentar eficiência. O ponto central é que eficiência e retenção nem sempre caminham juntas — e os ganhos imediatos em produtividade podem custar aprendizado a longo prazo.
Esses resultados ecoam princípios bem estabelecidos da psicologia cognitiva: processos que exigem esforço e recuperação ativa tendem a fortalecer a memória. À medida que a presença de assistentes de IA em contextos educativos cresce, o desafio será ajustar práticas de ensino para tirar proveito da tecnologia sem sacrificar aquilo que torna o aprendizado duradouro.












