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Em declarações no Fórum Portugal Nação Global, em Lisboa, o secretário de Estado das Comunidades defendeu que o país continuará a necessitar de mão de obra estrangeira para preencher funções que o mercado local não consegue cobrir. A intervenção, proferida na quinta-feira (30), sublinhou também a prioridade em manter laços com a diáspora em vez de centrar esforços exclusivos no regresso de emigrantes.
Emídio Sousa explicou que o crescimento económico e a mudança no perfil ocupacional tornaram evidente uma lacuna em certas actividades: há posições no mercado que deixaram de ser preenchidas por residentes, exigindo recursos humanos vindos do exterior. O responsável falou no Centro Cultural de Belém durante um painel do encontro que junta Portugal, a sua diáspora e operadores internacionais.
Por que a imigração é vista como necessária
Segundo o secretário de Estado, a chegada de trabalhadores estrangeiros responde a necessidades concretas do mercado de trabalho — sobretudo em funções menos qualificadas — sem, no seu entendimento, provocar uma redução generalizada dos rendimentos. Ele citou avanços recentes na remuneração média do país e no salário mínimo como indicadores positivos, embora tenha reconhecido que ainda há um longo caminho a percorrer.
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- Demanda por trabalho: setores com maior carência de mão de obra dependem hoje de trabalhadores estrangeiros para manter operações;
- Impacto nos salários: a visão oficial apresentada rejeita a ideia de que a imigração seja a causa principal da pressão sobre os salários;
- Melhoria gradual: houve subida do salário mínimo e do salário médio, mas as autoridades admitem necessidade de crescimento adicional;
- Diáspora e investimento: estreitar laços com portugueses no estrangeiro é visto como caminho para atrair investimento e oportunidades de emprego.
Diáspora: ligação em vez de retorno obrigatório
Na mesma sessão, o governante defendeu uma abordagem de “nação global”: em vez de fixar a política na repatriação massiva de emigrantes, o foco deve ser consolidar relações económicas e sociais com quem está fora do país. A ideia é que profissionais e empresas portuguesas estabelecidas no estrangeiro possam contribuir — sem necessariamente regressar — para o desenvolvimento e para a criação de emprego em Portugal.
Essa estratégia, segundo Emídio Sousa, pode atrair empresas internacionais e investimentos que impulsionem o mercado laboral e melhorem os níveis salariais. A proposta articula diplomacia económica, incentivos à internacionalização e promoção de oportunidades que beneficiem tanto quem está em Portugal quanto a comunidade portuguesa dispersa.
O debate colocado no Fórum traz implicações práticas: empregadores e setores com falta de mão de obra terão de adaptar recrutamento e condições de trabalho; formuladores de política pública enfrentam o desafio de equilibrar regulação migratória, proteção salarial e atração de investimento; e a diáspora ganha papel estratégico no plano económico do país.
Para cidadãos preocupados com emprego e rendimentos, as mensagens-chave são claras: espere mais abertura a trabalhadores estrangeiros em áreas com carência, acompanhe políticas públicas sobre salários e observe oportunidades geradas pela internacionalização das empresas portuguesas.












