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Um projeto da Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico (ACHLI) afirma ter reduzido drasticamente as perdas de gado por ataques de lobo através do emprego de cães de proteção e medidas de gestão integradas — um exemplo atual da possível conciliação entre energias renováveis e conservação da fauna. A notícia foi divulgada esta terça-feira durante uma sessão em Paredes de Coura que aborda precisamente como obras de energia podem incorporar compensações ambientais.
A ACHLI comunica que, desde 2014, a utilização de cães de guarda para o gado, em conjunto com ações de monitorização, permitiu cortar em cerca de 95% os prejuízos sofridos por criadores afetados por ataques de lobo.
Estratégia combinada: cães, habitat e sensibilização
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O programa integrou aproximadamente 130 cães de proteção nas áreas de pastoreio, financiados pelo chamado Fundo do Lobo e enquadrados em planos de monitorização do lobo ibérico. A iniciativa combina várias frentes de atuação: gestão do habitat, reflorestação, proteção direta do gado e campanhas junto das comunidades locais.
Segundo a associação, a proposta visa demonstrar que a expansão das fontes renováveis pode avançar sem sacrificar a biodiversidade, desde que haja medidas de mitigação efetivas e monitorização contínua.
Em termos práticos, a ACHLI acompanha atualmente processos de pós-avaliação ambiental relacionados com projetos eólicos — 15 parques eólicos e dois sobreequipamentos — que reúnem 342 aerogeradores e totalizam 684,5 MW. Essas intervenções cobrem territórios de 14 alcateias de lobo.
- Desde 2006: monitorização de 21 alcateias e 46 projetos energéticos, em parceria com universidades (Aveiro, Porto e UTAD).
- Intervenções florestais: 712 hectares intervencionados e mais de 190 mil árvores autóctones plantadas nos últimos 14 anos.
- Áreas sem caça: zonas críticas para o lobo que somam mais de 3.000 hectares protegidos da atividade cinegética.
- Reintrodução de corço: 129 animais soltos entre 2013 e 2022 para aumentar a oferta de presas naturais e reduzir ataques ao gado.
- Educação ambiental: 48 sessões em escolas com mais de 1.700 alunos, além de ações para populações locais.
Esses números servem, na visão da ACHLI, para apoiar um modelo de compatibilização entre projetos energéticos e conservação, articulado com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Financiamento e parcerias
O financiamento das ações provém de contribuições dos associados, empresas do setor das renováveis e outras entidades públicas e privadas. O mecanismo central é o Fundo do Lobo, que direciona recursos para projetos de gestão e recuperação do habitat.
A associação, criada em 2006, trabalha em rede com universidades, centros de investigação, autarquias e organizações não governamentais para desenhar e validar medidas que possam ser replicadas noutros territórios.
Do ponto de vista dos produtores, a combinação de guardas caninos e gestão do ecossistema representa uma alternativa prática aos pagamentos por prejuízos: menos perdas, menor tensão entre criadores e conservacionistas e provas concretas para as autoridades ambientais avaliarem nas licenças de novos parques.
O encontro em Paredes de Coura e o projeto BioImpacte+
A sessão onde estas conclusões foram partilhadas é promovida pela APREN no âmbito do projecto BioImpacte+, que procura identificar como infraestruturas renováveis — sobretudo parques fotovoltaicos — podem criar oportunidades para a biodiversidade e o desenvolvimento local sustentado.
O objetivo do projeto passa por envolver atores locais em soluções práticas: workshops colaborativos, propostas de compensação ambiental e monitorização que integrem a biodiversidade como elemento central do planeamento energético. Nesta edição, o foco incidiu no Parque Eólico do Alto Minho I e em experiências de mitigação já em curso.
Em síntese, os resultados apresentados pela ACHLI reforçam que ações técnicas e acordos de financiamento, quando articulados com autoridades e comunidades, podem reduzir conflitos entre conservação e produção de energia — e oferecer um roteiro aplicável a outros projetos que vão surgir nos próximos anos.












