Compra de fragatas sai 25% mais cara para Portugal do que para Itália

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Relatório do Expresso aponta que Portugal pagará bem mais por três fragatas FREMM do que o Estado italiano desembolsou por navios semelhantes, e a diferença de preço gerou pedidos de esclarecimento no parlamento. Além do valor por unidade, há custos adicionais com armamento e obras na Base Naval de Lisboa.

Diferença de preços

Segundo o Expresso, o Estado italiano adquiriu dois navios FREMM EVO à sua indústria por cerca de 750 milhões de euros cada. O contrato português pelas três fragatas ultrapassaria, pelo menos, 25% esse valor por unidade, situando-se em mais de mil milhões de euros por navio.

Comparação de navios militares em contexto de aquisição
A diferença de preço entre os navios italianos e portugueses gerou escrutínio parlamentar.

Ao montante do preço de aquisição somam-se despesas previstas com mísseis e as obras necessárias na Base Naval de Lisboa, uma vez que as embarcações não cabem no Arsenal do Alfeite.

Explicação do Ministério da Defesa

O Ministério da Defesa Nacional justificou a diferença com componentes e requisitos específicos incluídos na encomenda portuguesa. Em comunicado, apontou para “componentes de capacitação no âmbito direto de fornecimento dos navios” que, segundo o ministério, não eram necessários à Marinha italiana.

O ministério acrescentou que a Itália já opera dez navios FREMM — não do modelo EVO — e que as necessidades operacionais portuguesas exigem “configurações ligeiramente diferentes”, sistemas de armas distintos e sensores adaptados à operação em águas atlânticas. Essas adaptações, diz a pasta, contribuem para o diferencial de preço.

Manutenção e controvérsia política

Para além dos custos de compra, o processo inclui um encargo de manutenção estimado em 800 milhões de euros.

Sessão parlamentar com debate sobre despesas governamentais
O Chega solicitou esclarecimentos no parlamento sobre o contrato das fragatas.

O partido Chega apresentou requerimentos para que o ministro Nuno Melo e um representante da empresa portuguesa NTG prestem esclarecimentos no parlamento. O Governo negou que a NTG tenha atuado como intermediária no negócio.

Próximos passos

Os requerimentos em curso deverão levar os temas do preço, das especificações técnicas e do papel de terceiros a discussão parlamentar. As explicações formais do ministério e as audições solicitadas serão determinantes para clarificar o enquadramento financeiro e operacional do contrato.

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