Inglaterra: crise hídrica atinge mais de metade do país e pressiona reservas de água

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Mais de metade da Inglaterra foi oficialmente declarada em situação de seca esta semana, numa resposta às chuvas praticamente inexistentes de julho e às ondas de calor que têm marcado o verão. A escassez de água já provoca impactos reais: restrições no uso doméstico, colheitas antecipadas e crescimento do risco de incêndios.

O que aconteceu

Autoridades ambientais dizem que uma seca súbita se instalou em grande parte do centro, leste e sul do país, resultado da combinação entre precipitação muito reduzida e temperaturas persistentemente altas. Em julho, a chuva ficou em média em apenas 7% do normal para a época — e caiu para perto de 1% no sul da Inglaterra.

Regiões afetadas

  • East Anglia
  • Hertfordshire e Grande Londres
  • Vale do Tamisa
  • Hampshire e ilha de Wight
  • Devon e Cornualha
  • West Midlands

Para além das áreas agora em estado de seca, cerca de um terço do território permanece em situação de seca prolongada, segundo o grupo nacional que acompanha a evolução dos recursos hídricos.

Indicador Valor/reportado
Precipitação média em julho ~7% do esperado
Precipitação no sul da Inglaterra (julho) ~1% do normal
Áreas em seca Mais de 50% do território
Áreas em seca prolongada Cerca de 33%
Recorde de temperatura (26 de junho) 38 °C em Lingwood

Consequências práticas

Os efeitos já são palpáveis: os níveis dos rios estão a baixar, produtores agrícolas têm sido forçados a colher antecipadamente e as autoridades alertam para um aumento do risco de incêndios. Muitas zonas enfrentam limitações no abastecimento de água e medidas para reduzir o consumo.

Rio com níveis de água significativamente reduzidos durante período de seca
Os níveis dos rios caíram drasticamente devido à falta de precipitação.

Helen Wakeham, diretora da área de água na agência ambiental e presidente do grupo nacional de seca, avisou que a atual situação — com um segundo verão severo consecutivo — terá «repercussões duradouras» sobre o ambiente, a fauna e a economia se não houver medidas eficazes.

Pedido às empresas de água

O grupo que monitora a seca apelou às companhias responsáveis pelo fornecimento para que acelerem a reparação de fugas na rede, numa tentativa de reduzir perdas evitáveis. A secretária de Estado da Água, Emma Hardy, reiterou essa urgência em comunicado.

Enquanto isso, operadores e comunidades locais estudam medidas temporárias para garantir o abastecimento durante os meses mais secos.

Contexto meteorológico

Desde maio, a Inglaterra já registou três ondas de calor e as autoridades dizem que uma quarta ainda está em curso. Junho entrou para os registos como o mês mais quente desde 1884, com máximas sucessivas e o novo máximo nacional de 38 °C registado a 26 de junho.

O conjunto de sinais — recordes de temperatura, precipitação excepcionalmente baixa e declínio dos caudais — colocam a crise hídrica entre as prioridades imediatas das autoridades e reforçam a necessidade de respostas rápidas, tanto para mitigar impactos imediatos quanto para reforçar a resiliência a longo prazo.

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