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A UEFA pode estar a recuar nas ameaças de boicote às competições da FIFA depois de a federação mundial ter dado garantias públicas: o presidente Gianni Infantino não voltará a propor a venda de “partes” dos Mundiais. A mudança, noticiada pela imprensa internacional esta quarta‑feira, altera o clima entre as duas entidades e tem consequências práticas para selecções e calendários.
Segundo reportou The Telegraph, a FIFA assegurou que não haverá iniciativas para comercializar porções dos Campeonatos do Mundo enquanto Infantino estiver no cargo — uma condição que pode facilitar o levantamento das objeções da UEFA às competições organizadas pela entidade global.
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Essa trégua, porém, não implica automaticamente apoio político à recandidatura de Infantino: permanece incerto se as federações europeias irão formalmente endossar o atual presidente nas eleições de 2027.
O que muda já no curto prazo
A hipotética reconciliação tem efeitos imediatos sobre clubes, selecções e calendários internacionais — inclusive em provas com participação portuguesa.

- Competitividade e presença: a suspensão do boicote evita que jogadores e selecções europeias fiquem excluídos de torneios FIFA, salvaguardando convocações e calendário.
- Portugal: a seleção feminina sub‑20, que vai disputar o Mundial na Polónia, vê reduzido o risco de contratempos organizacionais antes do arranque do torneio.
- Calendário: com o diálogo restabelecido, a programação de jogos e transmissões fica menos sujeita a alterações de última hora.
- Governança: o compromisso divulgado pela FIFA traz alguma estabilidade à frente das discussões sobre o futuro modelo de exploração comercial dos Mundiais.
Para a seleção portuguesa sub‑20 feminina, a fase de grupos reúne Portugal, Coreia do Norte, Costa Rica e Colômbia. Os jogos apontados no plano de competição indicam confrontos já a partir de 7 de setembro (vs Coreia do Norte), seguindo‑se partidas a 10 e 13 de setembro — datas que ganham relevância caso se confirme a normalidade organizativa entre UEFA e FIFA.
Itália corta ligações: FIGC anuncia retirada de apoio
Em contraste com a aparente trégua entre as estruturas, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) comunicou esta quarta‑feira que não irá apoiar uma eventual recandidatura de Gianni Infantino à presidência da FIFA em 2027. No seu comunicado, a FIGC justificou a decisão com divergências sobre orientações de governação e prioridades para as competições internacionais.
A Federação italiana reforçou a intenção de cooperar com a UEFA e outras associações europeias em torno de princípios como mérito desportivo, solidariedade e sustentabilidade — um posicionamento que sublinha divisões internas na Europa sobre o rumo a dar à liderança mundial do futebol.
Mesmo com a paz aparente entre as direcções das duas instituições, o futuro político de Infantino continua sujeito a incertezas: a retirada de apoio de um ator relevante como a Itália pode ter impacto nas negociações que se seguirão até às eleições e nas alianças dentro do futebol europeu.
Perspetiva
O gesto da FIFA — ao prometer não avançar com propostas de venda de partes do Mundial — devolve alguma previsibilidade ao calendário global e reduz riscos imediatos para selecções e organizadores. Mas a decisão da FIGC mostra que um consenso duradouro ainda não está garantido.
Nos próximos meses, a evolução desse entendimento entre federações e a posição de outras potências europeias serão determinantes para saber se se trata de um acordo temporário ou do começo de uma reconfiguração nas relações entre UEFA e FIFA, com impacto direto nas competições que os adeptos acompanham de perto.











