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As eleições para a presidência da FIFA estão marcadas para 18 de março de 2027, num momento em que divisões internas e uma polémica proposta comercial mudaram totalmente o cenário de apoio entre as federações. O desfecho terá impacto direto sobre o futuro de acordos comerciais e a governação do futebol mundial — e, por enquanto, nada está fechado.
O atual presidente Gianni Infantino continua, por enquanto, como o único candidato público, mas o quadro de apoios sofreu alterações rápidas nas últimas semanas. A controversa iniciativa conhecida como FIFA Forward Enterprise, que pretendia atrair investimento privado sobre direitos de competições como o Mundial, originou rachas entre associações e confinou a disputa a incertezas até 18 de novembro, prazo final para registo de candidaturas.
O que dizem os números
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As eleições serão decididas por maioria simples entre as 210 federações com direito a voto (a federação do Nepal está suspensa por interferência governamental). Cálculos recentes feitos pela BBC Sport apontam que, se a corrida tivesse apenas um opositor hoje, Infantino não reuniria votos suficientes para se reeleger.
- Votos contra garantidos: 16 federações já anunciaram que vão retirar o apoio público a Infantino — entre elas Inglaterra, Alemanha, Países Baixos, Suécia e Suíça.
- Votos contra presumíveis: aproximadamente 108 votos são considerados prováveis, com base em posições públicas de confederações como a UEFA, a CONCACAF e a AFC.
- Apoios fiáveis: a CONMEBOL e a CAF confirmaram apoio coletivo, e cerca de 19 votos são dados como certos para o atual presidente.
- Votos presumíveis a favor: cerca de 54 federações são apontadas como inclinadas a manter o voto em Infantino.
- Indecisos: 13 federações ainda não decidiram — a maioria filiada à OFC — e haverá decisões internas nas próximas semanas.
Em termos aritméticos, os números atuais colocam Infantino numa posição frágil: no melhor dos cenários públicos ele somaria cerca de 73 votos (19 assegurados + 54 presumíveis), enquanto a oposição reuniria uma massa crítica capaz de impedir a reeleição se se mantiver unida.
Existem, porém, elementos capazes de alterar esse mapa: dissidências internas, federações que podem mudar o sentido do voto até ao prazo final e a possibilidade de surgimento de mais candidatos que fragmentem a oposição — situação que historicamente favorece o titular.
A geografia do apoio
Enquanto a América do Sul e grande parte de África se mostram alinhadas com Infantino, regiões como a Europa, América do Norte/Central e Ásia registam um movimento de afastamento, em especial depois das críticas à FFE.
Um exemplo dessa complexidade é o México: apesar da CONCACAF ter tomado posição contra, a Federação Mexicana manteve declaração pública de confiança em Infantino, ilustrando como alianças regionais nem sempre traduzem votos individuais previsíveis.
A Arábia Saudita merece atenção à parte. Como anfitriã do Mundial de 2034, tem eleições próprias ainda em agosto e a decisão do seu novo comité executivo pode influenciar as federações vizinhas na escolha de março.
Candidatos em cena e possíveis cenários
Há nomes que circulam como alternativas a Infantino — entre eles Nasser Al‑Khelaifi, Victor Montagliani e Shaikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa — mas nenhum confirmou oficialmente a candidatura. Três cenários possíveis explicam o que está em jogo:
- Oposição unida contra um único candidato: maior probabilidade de derrota para o atual presidente, segundo projeções públicas.
- Surge um terceiro candidato forte: dispersão de votos pode favorecer a reeleição de Infantino.
- Movimentos de última hora entre federações indecisas: mudanças pontuais podem inverter a balança e tornar a votação imprevisível.
Além da contagem de votos, a eleição terá consequências práticas: a liderança que sair vencedora definirá a orientação sobre parcerias comerciais, calendário global de competições e reformas de transparência — todos temas que preocupam federações e investidores.
Com o prazo de candidaturas a encerrar em 18 de novembro e a votação marcada para 18 de março de 2027, as próximas semanas serão decisivas. Fontes dentro de confederações prometem reuniões e deliberações que poderão alterar significativamente o mapa de apoios até lá.
O que fica claro: o processo está longe de estar decidido. As alianças recentes e as tensões geradas pela proposta da FFE colocaram a FIFA num momento de incerteza que pode redefinir quem lidera o futebol mundial e como serão negociados os direitos das principais competições nos anos seguintes.












