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O movimento ambiental proTEJO pediu esta terça-feira que sejam fixados limites legais ao uso de água e energia de dois grandes centros de dados planejados para Abrantes, reclamando ainda uma avaliação ambiental conjunta antes de qualquer autorização. O alerta surge num momento em que previsões oficiais indicam agravamento da escassez hídrica na bacia do Tejo — exatamente quando os projetos devem começar a operar.
Em comunicado, o grupo, com sede em Vila Nova da Barquinha, exigiu que a aprovação dos empreendimentos Hyperion (em Alvega) e EDC One (junto ao Pego) passe por um Estudo de Impacte Ambiental (EIA) cumulativo, capaz de avaliar efeitos somados sobre os recursos hídricos e a rede energética local.
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Principais preocupações
O proTEJO reclama transparência sobre a tecnologia de arrefecimento a empregar e quer que os promotores divulguem estimativas detalhadas de consumo de água. Sem esses dados, dizem, é impossível avaliar o risco real para a bacia do Tejo.

Segundo o movimento, as estimativas públicas ainda não especificaram as soluções de arrefecimento. Dependendo da tecnologia, os dois centros podem demandar, em plena carga, entre 3,6 milhões e 22,2 milhões de litros de água por dia — uma variação ampla que altera substancialmente o impacto ambiental.
Também há preocupação quanto ao consumo elétrico. Com uma capacidade conjunta prevista de cerca de 500 megawatts, o consumo anual máximo estimado pelo proTEJO chega a aproximadamente 4.380 GWh, valor que, segundo o movimento, supera em várias dezenas de vezes a procura elétrica anual do próprio concelho de Abrantes.
O que o proTEJO pede
- Realização de um EIA cumulativo antes de qualquer licença ser emitida.
- Divulgação pública da tecnologia de arrefecimento e das projeções de consumo de água.
- Fixação de limites máximos vinculativos para eficiência hídrica e energética.
- Publicação regular dos dados de desempenho operacional dos centros de dados.
- Sessões públicas de esclarecimento em Alvega e na Concavada e reavaliação do enquadramento na Zona Livre Tecnológica do Pego.
- Garantia legal de que municípios possam exigir condições ambientais mais restritivas.
O movimento admite a importância da modernização digital e da atração de investimento para a região, mas reclama que esses projetos sejam ponderados no contexto de outras pressões sobre o Tejo: barragens, açudes, sistemas de rega e transferências inter-bacias.
As autoridades ambientais já alertaram para um quadro de agravamento da seca na bacia do Tejo entre 2028 e 2033, período que coincide com a previsão de entrada em funcionamento dos empreendimentos. Além disso, várias massas de água superficiais e subterrâneas da região encontram-se abaixo do chamado “Bom Estado”.
Quadro regulatório e projetos
Desde 2024, Portugal exige que centros de dados com potência instalada igual ou superior a 500 kW publiquem indicadores de desempenho energético e hídrico. No entanto, a legislação atual não estabelece tetos obrigatórios para esses consumos, o que deixa em aberto a definição de limites vinculativos.

Em abril, o Governo aprovou o Plano Nacional de Centros de Dados, que classifica essas infraestruturas como estratégicas para a economia e para a soberania digital — um enquadramento que facilita investimentos mas mantém a obrigação de cumprir normas ambientais.
Os projetos anunciados em Abrantes:
- EDC One: investimento anunciado de cerca de 7 mil milhões de euros, com uma primeira fase de 300 MW e início de operações apontado para 2028.
- Hyperion II: pedido de informação prévia aprovado a nível municipal para uma instalação perto de Alvega/Pego, com 200 MVA de ligação a rede e calendário de operação previsto para 2029.
Fontes governamentais indicam que ambos os promotores pediram posteriormente aumento da capacidade de ligação à rede elétrica; esses pedidos estão em análise, disse à agência Lusa a ministra do Ambiente e da Energia.
Implicações práticas
Se confirmadas, as projeções de consumo de água e energia podem ter efeitos diretos sobre reservatórios, regimes de caudal e disponibilidade para usos agrícolas e urbanos. A falta de limites claros também pode criar precedentes para futuras instalações em bacias com recursos hídricos já pressionados.
Para leitores e decisores locais, a questão central é prática: como conciliar desenvolvimento tecnológico e proteção de recursos essenciais? A exigência por um EIA cumulativo e por limites vinculativos resume essa tensão e coloca no centro do debate a gestão integrada do território.
O dossier deverá avançar nas próximas semanas com os pedidos de ligação à rede em análise — um ponto-chave que determinará prazos e condicionantes para a execução dos projetos.











