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Nove meses após os temporais que arrasaram partes do concelho, Leiria ainda arca com uma conta elevada pela remoção de entulho e resíduos perigosos — sobretudo materiais com amianto — despesas que não são cobertas pelo mecanismo de apoio municipal. A persistência dos trabalhos de limpeza e reconstrução mantém a situação como um problema financeiro e de saúde pública para a câmara e para os habitantes.
O presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, comunicou à agência Lusa que a autarquia já registou um gasto extraordinário de 9,3 milhões de euros (valor sem IVA) relacionado com a recolha e encaminhamento dos resíduos gerados pelos temporais. Grande parte desses custos deve-se ao acréscimo de recolhas e à duplicação de faturas nos meses que se seguiram à passagem da depressão Kristin, em 28 de janeiro.
Remoção de materiais perigosos e limitações de apoio
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Entre os encargos mais pesados está a intervenção sobre estruturas derrubadas e coberturas antigas: muitos anexos e pavilhões perderam telhados e foram desmontados, o que implicou a retirada de materiais contendo amianto. A Câmara sublinha que estes procedimentos são caros e não se enquadram nas regras do Fundo de Emergência Municipal, deixando a autarquia com uma parcela significativa da despesa a suportar.

Além do custo direto, existe um efeito contínuo: obras de reconstrução em curso ainda produzem grandes volumes de resíduos. Vários pontos de depósito temporário já foram desmantelados, mas a necessidade de remoção mantém-se enquanto casas e equipamentos são reerguidos.
- Resíduos recolhidos em parques: quase 12 000 toneladas, distribuídas por 37 parques de receção nas freguesias.
- Recolha pública e porta a porta: 1 442 toneladas, a partir de 1 251 pontos de recolha.
- Materiais com amianto: 1 977 toneladas identificadas e encaminhadas.
- Resíduos não urbanos: 848 toneladas processadas nos pontos de recolha.
O município também clarificou que as operações de limpeza florestal não estão incluídas neste montante, pois exigem outro tipo de logística e investimento.
Impacto humano e económico
Os temporais que atingiram Portugal continental durante cerca de três semanas provocaram consequências graves: pelo menos 19 mortes no país — seis delas em Leiria — dezenas de feridos e centenas de desalojados. As depressões Kristin, Leonardo e Marta atingiram sobretudo as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, causando destruição de habitações, empresas e infraestruturas.
Os prejuízos estimados ultrapassam os 5 mil milhões de euros, refletindo perdas materiais, cortes de energia, inundações e impacto nos serviços públicos. Em Leiria, a combinação entre custos imediatos de limpeza e encargos de longo prazo com a reconstrução coloca pressão sobre as contas locais e levanta dúvidas sobre a necessidade de apoios adicionais do Estado.
Para os moradores, a continuação dos trabalhos significa mais tempo de convivência com obras, rotinas alteradas e riscos associados à gestão de resíduos perigosos. Para a administração local, trata-se de conciliar prioridades orçamentais sem comprometer a segurança pública.
Num contexto em que a reconstrução ainda gera detritos e onde a remoção de amianto exige procedimentos controlados, a câmara alerta para despesas contínuas que poderão prolongar-se nos próximos meses e para a importância de definir claramente responsabilidades e fontes de financiamento.











