A nova Biblioteca Municipal do Entroncamento acumula atrasos e ainda não tem nova data de conclusão, deixando a população sem previsibilidade sobre a disponibilidade do equipamento. A obra, cuja entrega estava prevista para 18 de dezembro, enfrenta problemas técnicos e administrativos que já motivaram confrontos entre a Câmara e a empresa responsável.
A autarquia confirmou, em resposta a pedidos de informação, que o estudo geotécnico inicial não detectou variações no solo que só surgiram durante a execução dos trabalhos. Essas diferenças obrigaram a intervenções de contenção não previstas no planeamento original.
Segundo a documentação do processo, as intervenções adicionais foram executadas sem que a Câmara tenha divulgado o montante dos custos suplementares ou um novo cronograma. A falta de um valor atualizado e de uma previsão de entrega aumenta a incerteza sobre o custo final do projeto e sobre quando os serviços serão retomados em pleno.
Biblioteca do Entroncamento: obra arrasta-se sem previsão e preocupa moradores
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Na última reunião do executivo, o presidente da Câmara, Nelson Cunha (Chega), admitiu que a obra têm andado a um ritmo reduzido, mas negou que estivesse totalmente parada. Relatórios internos citam medições recentes que registaram valores de obra executada muito baixos — em torno de dois mil euros num dos autos mais recentes.
Contencioso entre município e empreiteiro
O relacionamento entre o município e a construtora deteriorou-se: a empresa apresentou um pedido de compensação por prolongamento da empreitada que foi rejeitado por unanimidade pelo executivo. Os serviços técnicos municipais consideraram que os atrasos se devem, em larga medida, aos próprios métodos de execução da empresa, à fragmentação das tarefas e à entrega tardia de documentação exigida no contrato.
- Condições do solo: variações não previstas no estudo inicial e necessidade de trabalhos de contenção.
- Trabalhos complementares: intervenções não orçamentadas que ainda não tiveram o impacto financeiro divulgado.
- Responsabilidades contratuais: técnico-municipais apontam falhas de execução e de documentação por parte da construtora.
- Pedido de compensação: reclamado pela empresa e recusado pelo executivo municipal.
- Falta de cronograma: ausência de nova data de conclusão comunicada oficialmente.
Um relatório sobre a evolução da obra até setembro assinala ainda constrangimentos por resolver. Apesar de pedidos de esclarecimento internos, não houve divulgação pública de um orçamento revisto nem de um plano atualizado para terminar o projeto.
Para os habitantes do Entroncamento, a demora significa adiamento no acesso a serviços culturais e comunitários previstos para a biblioteca, além do risco de pressão sobre as contas municipais se surgirem encargos imprevistos. No plano administrativo, a situação coloca em evidência a necessidade de maior transparência no acompanhamento de contratos públicos e de melhor avaliação geotécnica em projectos futuros.
O próximo passo esperado é a apresentação, por parte da Câmara, de um levantamento financeiro atualizado e de um novo cronograma de obra. Até lá, permanece a incerteza sobre custos finais e prazos, e a possibilidade de novas negociações ou ações contratuais entre as partes.











