Aqui nasci. Aqui cresci. Aqui não quero ficar. Não é, mas poderia muito bem ser o lema de uma cidade que parece não querer fixar a força do futuro. Uma cidade alérgica à condição jovem e que empurra quem a quer ter para o rio, forçando uma travessia fluvial em direcção a Lisboa.

Ser jovem no Barreiro é uma constate luta pela afirmação pessoal. Cá dentro porque nos tornamos repetitivos a enumerar as razões que fazem do Barreiro uma cidade onde não nos sentimos em condições para desenhar um projecto de vida. Lá fora porque nos tornamos repetitivos a tentar defender o indefensável, porque apesar de tudo este é o nosso berço.

Deambulamos pelas ruas da cidade e deparamo-nos com a degradação da zona histórica, com a escuridão que assola boa parte das ruas, avenidas e parques, com a insegurança que é sinónimo de Barreiro para os estrangeiros do outro lado do rio, com a falta de actividade comercial e industrial que outrora nos caracterizou, com o serviço público deficitário de transportes, com a ruína dos complexos desportivos de acesso público, com o constante encerramento de estabelecimentos de diversão nocturna.

Deambulamos pelas conversas que ao longo do tempo travamos e deparamo-nos com a falta de emprego jovem, com o desaproveitamento do Polo do Instituto Politécnico de Setúbal, com os constantes plenários nos barcos que nos ligam à capital, com a falta de estratégia para o turismo, com o trânsito caótico que sempre ocorre bem perto das eleições.

E tudo isto passa uma e só uma mensagem: jovens, vão sê-lo para outro lado.

Quantos são os jovens que optam por ficar na sua terra natal quando se trata de beber um copo com os amigos? Quantos são os jovens que afirmam que o seu sonho é constituir família no Barreiro? Quantos são os jovens que dizem sentir-se seguros na sua cidade? Quantos são os jovens que, tendo opção de escolha, preferem os TCB à viatura própria? Quantos são os jovens que usufruem dos polidesportivos e dos parques para desporto e lazer? Quantos são os jovens que entregam à DGES uma candidatura em que o IPS – Barreiro é primeira opção? Quantos são os jovens que defendem, junto dos amigos, que o Barreiro é uma cidade que vale a pena visitar?

Eu sou jovem. Mas consigo sê-lo muito mais noutras terras que não a minha.

E é triste que uma cidade que outrora foi o motor da locomotiva do desenvolvimento económico nacional, seja hoje não mais do que uma roda que é puxada por outras forças que não a sua. É triste que uma cidade que outrora foi sinónimo de cultura, seja hoje não mais do que uma paragem secundária no panorama artístico nacional. É triste que uma cidade que outrora foi nome grande na formação de profissionais nas mais variadas áreas, seja hoje a última opção numa candidatura ao Ensino Superior e nem chegue a uma opção séria no Ensino Profissional.

É triste ser jovem no Barreiro e não vislumbrar uma mudança enquanto não houver uma mudança política naqueles que conduzem os nossos desígnios.

É triste.

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