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De frente para a estátua do Rossio, um grupo de ativistas do movimento pelo direito à habitação manteve-se na praça durante a manhã de domingo, num cenário marcado pelo vento que ameaçava as tendas e por uma presença policial reduzida. Os responsáveis do protesto dizem que só irão sair se as suas exigências políticas forem atendidas.
Manhã difícil: vento e pouca polícia
Quem passou a noite na acampada acordou com as tendas a ser empurradas pelas rajadas e com turistas a fotografar a ação. Uma ativista identificada como Ana contou que teve de recolocar uma tenda que quase foi arrastada para a passagem de peões.
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Segundo um dos organizadores, Bruno, de 30 anos, a força policial presente no local ficou muito reduzida durante a madrugada. “A polícia desmobilizou às três da manhã”, disse ele, tratando a retirada como um dos primeiros sucessos do movimento.
Bruno, engenheiro informático, afirmou que dormiu no chão da calçada — onde não é possível cravar estacas para fixar tendas — e descreveu a noite como tranquila apesar do incómodo do vento.
Reivindicações e mensagens em cartaz
Os manifestantes apresentaram um conjunto claro de pedidos: o fim da reforma da lei das rendas que, segundo o grupo, foi aprovada na especialidade por partidos de direita; um aumento do parque habitacional público; e a suspensão de despejos quando não existirem alternativas para as famílias.
“Nota-se que há uma solidariedade popular e estamos aqui para ficar”, afirmou um dos ativistas, que também denunciou rendas que consideram “desumanas”. Nas imediações, havia cartazes com slogans dirigidos ao poder político e uma banca que distribuía bolos gratuitamente — um dos cartazes dizia “Aqui há capitalistas”.
Encontro com transeuntes e turistas
Entre os que observavam a acampada estavam turistas e visitantes. Um casal proveniente de Turim, identificado como Luigi e Ana, debateu os motivos do protesto: Luigi fez críticas aos jovens e àquilo que chamou de influência cultural, enquanto a companheira elogiou os ativistas e os encorajou a agir em defesa do futuro.

Pedro Lourenço, de 26 anos e a viver com os pais em Mafra, passou a manhã a entrevistar quem passava, com uma câmara compacta para publicar o material nas redes sociais. Ele afirmou querer “captar a essência deste movimento” e aproximar-se de quem não conhece a causa.
As reações dos entrevistados variaram: alguns mostraram solidariedade — sobretudo quem acompanha protestos noutros países — e outros reagiram com críticas. Pedro disse que, muitas vezes, basta uma explicação para que opiniões negativas amoleçam e até surjam mensagens de apoio de pessoas mais velhas.
Continuidade do protesto e logística
Os organizadores discutem a forma de conciliar a ação com rotinas de trabalho durante a semana. Muitos procuram alternativas para manter a presença sem perder emprego ou rendimento.
Bruno, que trabalha em regime de teletrabalho, afirmou que isso lhe permite permanecer no local por mais tempo. “Só se bloquearem a internet”, comentou em tom de satisfação, descrevendo a vantagem que a sua profissão lhe oferece.











