Livre diz ser óbvia a abertura de inquérito da IGAI aos incidentes com manifestantes no Porto

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O porta‑voz do Livre, Jorge Pinto, apelou esta sexta‑feira à abertura de um processo administrativo pela Inspeção‑Geral da Administração Interna após a intervenção policial na madrugada de quinta‑feira no Porto, que deixou dezenas de feridos. Pinto criticou a atuação como excessiva e lançou questões sobre a cadeia de comando e a responsabilidade política pelo episódio.

Pedido de averiguação e perguntas ao ministério

Pinto afirmou que era lógico e necessário que a IGAI investigue o que aconteceu naquela madrugada. Segundo o porta‑voz, o partido enviou ao ministério da Administração Interna um conjunto de perguntas sobre quem ordenou a intervenção e quem responde pelos atos policiais.

Documentos e mãos sobre papeis durante revisão administrativa
Pedido formal de averiguação dirigido à IGAI e perguntas ao ministério.

O dirigente acrescentou que o processo administrativo agora anunciado é o caminho adequado e que o partido aguarda com atenção as conclusões das autoridades competentes.

Acusações públicas a Governo e autarquia

O porta‑voz do Livre qualificou a intervenção policial como uma expressão de força desproporcional contra manifestantes que, na sua visão, permaneceram pacíficos. Pinto disse ainda que atos dessa natureza seriam inéditos na história recente da democracia portuguesa.

Além das críticas à atuação policial, o deputado acusou o Governo de fazer declarações quase provocatórias, citando intervenções do primeiro‑ministro e do ministro Carlos Abreu Amorim que, segundo ele, tenderiam a inflamar a situação. Pinto responsabilizou também o presidente da câmara do Porto, Pedro Duarte, por comentários que pediam ser “implacáveis” e que, na sua avaliação, ajudaram a criar um ambiente que antecedeu a ação policial.

Do acampamento à nova concentração

Os protestos começaram com uma acampada no sábado anterior, que motivou uma ação de limpeza municipal na segunda‑feira e uma operação policial na madrugada de quinta. Essa intervenção provocou dezenas de feridos — o texto refere 39 pessoas feridas — e gerou confrontos de interpretação: os organizadores garantem que a ação foi sempre pacífica, enquanto a PSP defende que houve resistência.

Barracas de acampamento e pessoas numa praça urbana
O acampamento que originou os protestos começou no sábado anterior.

A noite de quinta terminou com cerca de três mil pessoas a concentrar‑se a partir das 19:00 para pedir o direito à habitação. O cortejo passou brevemente pela frente da Câmara do Porto antes de regressar à Praça D. João I, local onde a manifestação se mantinha desde o início.

Próximos passos dos organizadores

Os responsáveis pelo protesto convocaram um regresso ao local para sábado, com autorização camarária para estar presente durante todo o dia. A iniciativa coincidirá com uma ação agendada pela central sindical CGTP.

Jorge Pinto concluiu dizendo que o episódio coloca questões sobre práticas de policiamento e responsabilidade política, expectativas que dependerão das investigações e das respostas das instituições envolvidas.

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