A Associação Jogar ABT foi formalizada há cerca de dois meses, mas o que se vê nas mesas da cave em Abrantes já carrega quase três décadas de histórias. Numa época em que o uso excessivo de ecrãs preocupa famílias e escolas, o encontro presencial em torno de um tabuleiro ganha relevância prática: promove interação direta e oferece alternativas de lazer coletivo.
Às sextas, a cave transforma-se num espaço onde o tempo passa sem pressa. Cartas, miniaturas e dados ocupam as mesas; há petiscos espalhados e risadas que se sobrepõem ao som das peças sendo movidas. Os telemóveis ficam, na maior parte dos casos, nos bolsos — e isso é notado por quem participa.

As sessões acontecem quase todos os fins de semana e reúnem jogadores de idades e experiências distintas. Hugo Pereira, presidente da associação e anfitrião habitual, cede o espaço de sua casa para as partidas. Numa das noites observadas, cinco pessoas disputavam uma partida rápida de Trio, enquanto um pequeno grupo se concentrava numa mesa com Mechs & Minions, um jogo cooperativo e com muitas miniaturas.
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Para muitos dos presentes, a vitória é secundária. O que predomina são as histórias compartilhadas, as provocações bem-humoradas e a cumplicidade construída ao longo dos anos. Há quem participe há duas décadas e quem tenha descoberto o grupo recentemente; todos, contudo, reconhecem benefícios além do entretenimento.
Jogadores como João Paulino (35 anos), presente no grupo há cerca de 20 anos, e Óscar Nazareth (43 anos), integrado em 2017, destacam que os jogos exercitam memória, raciocínio e tomada de decisão, além de favorecerem a cooperação. Nelson Ferreira (36 anos), que chegou há cerca de um ano, aponta o aspecto social como principal motivo para continuar vindo.
- Sessões semanais: encontros informais e partidas rápidas.
- Jogos cooperativos e competitivos: estimulam diferentes habilidades cognitivas.
- Troca de experiências: relatos de partidas antigas e regras adaptadas.
- Objetivo de expansão: procurar espaços públicos e parcerias para atrair novos públicos.
Óscar lembra ainda que, em alguns países nórdicos, jogos de tabuleiro são usados com fins pedagógicos — um exemplo que reforça a hipótese de integração entre lazer e aprendizagem. Hugo sublinha outro ponto: o encontro ajuda a mitigar o isolamento, sobretudo entre jovens que passam muitas horas em frente a ecrãs.
Os responsáveis pela associação querem agora dar um passo adiante. Além de manter as reuniões na cave, planeiam procurar locais públicos e desenvolver iniciativas que aproximem mais pessoas — sem perder a atmosfera descontraída que caracteriza os encontros.

No fundo, o projeto guarda um propósito simples e concreto: reunir pessoas em torno de uma mesa, devolver à convivência formas que a tecnologia, por vezes, tem fragmentado, e mostrar que o jogo pode ser um instrumento de socialização e de aprendizagens práticas.











