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A saída anunciada da Ryanair dos Açores, com voos suspensos a partir de 29 de março, ameaça reduzir de forma imediata a oferta aérea para o arquipélago e pode acentuar a sazonalidade do turismo, sobretudo durante o inverno. Empresários do setor hoteleiro pedem respostas rápidas das autoridades e das companhias para evitar um défice de ligações que já se começa a prever.
A low-cost irlandesa confirmou esta terça-feira a retirada completa das operações nos Açores, cancelando as seis rotas que hoje realiza entre o continente e o arquipélago. A transportadora aponta para o aumento dos encargos aeroportuários — nomeadamente as taxas aplicadas pela ANA — e para a subida das taxas de navegação aérea após a pandemia como motivos principais da decisão, além da introdução de uma taxa de viagem de dois euros.
Reação do setor hoteleiro
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Andreia Pavão, representante da Associação da Hotelaria de Portugal nos Açores, alertou que a perda será “bastante substancial” em termos de lugares oferecidos. Segundo a dirigente, a Ryanair ocupava um nicho bem definido no mercado de passageiros, e a sua partida pode provocar um realinhamento dos preços e da procura interna.
Há incerteza sobre se outras companhias — como a TAP ou a Azores Airlines (SATA) — poderão ou terão interesse em preencher imediatamente o vazio deixado. Pavão salientou que, embora algumas transportadoras tenham anunciado novas rotas para o verão, isso não garante compensação total, nem chega necessariamente ao mesmo perfil de clientes.
- Impacto direto: redução significativa de assentos disponíveis entre o continente e os Açores.
- Risco para o inverno: maior dependência do mercado doméstico pode aumentar a queda de ocupação em meses frios.
- Possível efeito nos preços: pressão de procura sobre menos lugares pode subir tarifas aéreas e pacotes turísticos.
- Substituição incerta: anunciadas novas rotas de terceiros podem não cobrir todas as ligações nem o mesmo perfil de passageiros.
Consequências previsíveis e medidas sugeridas
O setor admite que a saída não surpreende — a companhia já tinha reduzido operações anteriormente — mas reconhece que o momento exige respostas coordenadas. A AHP defende uma revisão da estratégia de aviação para os Açores, com foco no reforço de ligações diárias e na diversificação de mercados emissores.
Entre as possíveis medidas apontadas por operadores e empresários estão a negociação de condições com os aeroportos, incentivos temporários para rotas estratégicas e campanhas de promoção para atrair turistas fora da época alta. Qualquer solução, porém, depende de decisões rápidas por parte do governo, das entidades aeroportuárias e das companhias aéreas.
Para já, permanece a dúvida sobre como o calendário de verão será afetado e, sobretudo, sobre a composição do mercado no próximo inverno — um teste relevante para a resiliência do turismo açoriano face à redução de capacidade aérea.












