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Moçambique contabilizou 277 mortos e cerca de 870 mil pessoas afetadas desde o início da atual época das chuvas, em outubro, segundo uma nova atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) divulgada esta segunda-feira. Os números explicam por que as consequências humanitárias e económicas continuam a crescer enquanto a temporada segue até abril.
O boletim do INGD, consultado pela agência Lusa, aponta um aumento de uma vítima morta em relação ao último relatório de sábado. No total, 869.694 pessoas — repartidas por 201.004 famílias — foram abaladas pelas intempéries, que também deixaram 10 desaparecidos e 340 feridos.
- Mortos: 277
- Pessoas afetadas: 869.694 (~870 mil)
- Famílias: 201.004
- Desaparecidos: 10
- Feridos: 340
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As cheias de janeiro foram o evento mais devastador até agora: provocaram pelo menos 43 mortes, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando 715.716 pessoas em várias províncias. Já a passagem do ciclone Gezani, entre 13 e 14 de fevereiro em Inhambane, causou quatro vítimas mortais e atingiu outras 9.040 pessoas.
Vidas, casas e serviços públicos em risco
Os impactos sobre o parque habitacional e os serviços básicos também são significativos. Segundo o INGD, 15.831 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.298 foram totalmente arrasadas e 182.847 imóveis foram inundados. Serviços essenciais não ficaram imunes: 303 unidades de saúde, 84 locais de culto e 720 escolas sofreram danos durante estes cinco meses e meio de chuvas.
As perdas agrícolas são outra frente crítica. O relatório indica que 267.205 hectares de culturas foram perdidos, afetando 339.973 agricultores; paralelamente, 530.998 animais de criação (bovinos, caprinos e aves) morreram, um golpe direto à segurança alimentar e à renda rural.
Infraestrutura e respostas de emergência
As estradas e vias de ligação sofreram danos extensos: 7.612 quilómetros de troços foram afetados, com 43 pontes e 261 aquedutos comprometidos, segundo o inventário do instituto de gestão de desastres.
Desde outubro, o INGD ativou 155 centros de acomodação que chegaram a acolher 114.627 pessoas. Atualmente, 25 desses centros continuam abertos — cinco foram reativados na última semana por conta das cheias recentes — abrigando pelo menos 6.760 pessoas. As operações de resgate já contabilizaram 6.931 sujeitos retirados de áreas de risco.
O que está em jogo
O conjunto dos dados revela riscos imediatos para a saúde pública, a segurança alimentar e a mobilidade interna. Com a época chuvosa ainda em curso, a prioridade para autoridades e organizações humanitárias permanece em reduzir novas perdas, reforçar abrigos e garantir acesso a água potável e cuidados de saúde nas zonas afetadas.
O INGD mantém a monitorização e a atualização periódica dos números. Para as comunidades locais e para o país, os próximos meses serão decisivos para a recuperação e para o planeamento de medidas que reduzam a vulnerabilidade frente a futuros eventos extremos.












