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O Palácio de Belém escolheu o escritor e antigo governante Francisco José Viegas para assumir a consultoria de Cultura do Presidente da República, numa mudança que substitui Pedro Mexia — ocupante da função ao longo dos dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa. A nomeação chama a atenção porque aproxima a assessoria cultural do Presidente a um perfil com experiência política e institucional.
A notícia foi divulgada inicialmente pelo jornal Público e depois confirmada pelo Expresso, segundo fontes próximas ao processo.
Perfil e percurso
Francisco José Viegas combina carreira literária, trabalho editorial e passagem por cargos públicos. No terreno político, destacou-se como secretário de Estado da Cultura no gabinete de Pedro Passos Coelho (2011–2012), cargo do qual se afastou por motivos de saúde. Mais tarde, participou na elaboração do programa cultural do PSD para as legislativas de 2011 e foi eleito deputado como independente nas listas do partido pelo círculo de Bragança.
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Na imprensa e na edição, Viegas tem um percurso extenso: passou por redações como Expresso, Diário de Notícias e Visão, dirigiu publicações como LER e Grande Reportagem e esteve à frente da Casa Fernando Pessoa. Também teve ligações editoriais com a Quetzal, uma das casas literárias relevantes em Portugal.
- Função atual: Consultor de Cultura do Presidente da República.
- Quem sai: Pedro Mexia, conselheiro durante os dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa.
- Experiência política: Secretário de Estado da Cultura (2011–2012); participação no programa cultural do PSD; deputado eleito nas listas do PSD.
- Trajetória editorial: Jornalismo, direção de revistas e gestão de centros culturais.
- Reconhecimentos: Vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores por “Longe de Manaus” e do Prémio Fernando Namora.
O que muda em Belém
A substituição de Mexia por Viegas sugere uma alteração no perfil do consultor: de um laivo mais ensaístico e comentador para alguém com vivência na administração cultural e contactos partidários. Isso não determina automaticamente novas políticas, mas altera a perspetiva técnica e política com que o Presidente poderá receber recomendações.
Fontes próximas a decisões culturais afirmam que o papel do consultor do Presidente tende a ser aconselhador e de articulação — um ponto de contacto entre o universo cultural, o Governo e iniciativas públicas. Com Viegas, espera‑se maior proximidade a temas institucionais e de gestão cultural, dado o seu percurso.
Para leitores e profissionais do setor, as áreas a observar nos próximos meses incluem mudanças em agendas de apoio a instituições culturais, eventuais posicionamentos públicos sobre políticas culturais e o tom das iniciativas que partirem do Palácio de Belém.
Em termos de linguagem e estilo, a obra de Viegas alia ficção, crónica de viagem e comentário político, o que pode influenciar a forma como transmite recomendações ao Presidente — mais orientadas para a prática institucional e para a ligação entre cultura e esfera pública.
Resta aguardar anúncios oficiais sobre a tomada de posse e a agenda que o novo consultor adotará; até lá, o setor cultural vai acompanhar com atenção possíveis sinais de alteração nas prioridades e nas formas de articulação entre Belém e os agentes culturais.












