Gerês: Lidl e WWF Portugal anunciam projeto para recuperar áreas naturais

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No primeiro dia da primavera, Lidl Portugal e WWF Portugal deram início a um restauro ecológico no Gerês com a plantação simbólica de árvores — um gesto que transforma um compromisso estratégico em ação no terreno e que surge pouco depois dos incêndios de 2025 que devastaram milhares de hectares na região. O projeto visa recuperar áreas degradadas do único parque nacional do país e responde a metas europeias urgentes para restauração natural.

O ato simbólico decorreu numa das parcelas que integram o Parque Nacional da Peneda-Gerês e marcou o arranque das intervenções do programa Re-Store Portugal, promovido pela WWF e apoiado pelo Lidl. Autoridades locais, representantes do setor privado e membros da comunidade estiveram presentes para acompanhar o início das obras de campo.

Para o Secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, a iniciativa mostra que a recuperação ambiental só avança com a cooperação entre entidades públicas, empresas e sociedade civil, gerando também oportunidades económicas locais. A Diretora Regional Norte do ICNF, Sandra Sarmento, destacou a necessidade de envolver cada vez mais atores na tarefa de restauro, sublinhando o caráter coletivo da responsabilidade.

O que está a ser feito no terreno

O apoio do Lidl permite intervenções em quatro parcelas entre Lindoso e Campo do Gerês, dentro do parque e da Zona Especial de Conservação da Rede Natura 2000. No total, serão trabalhados cerca de 30 hectares.

As intervenções combinam duas abordagens principais: gestão de matos para reduzir risco de incêndio e promoção da regeneração natural, e replantação direta em áreas queimadas. Em conjunto, a ação pretende restaurar padrões de vegetação e aumentar a resiliência das paisagens.

  • Área total: 30 hectares intervenientes.
  • Gestão de matos: ~28 hectares com corte seletivo para criar mosaicos de vegetação e favorecer a regeneração natural.
  • Reflorestação: ~2 hectares plantados, com aproximadamente 800 árvores autóctones para recuperar zonas ardidas em 2025.
  • Duração do programa: plano plurianual de cinco anos.
  • Financiamento inicial: 100.000 euros do Lidl para estudos e plataforma digital; mais 180.000 euros angariados através das vendas dos sacos solidários.

Contexto estratégico e financiamento

O Re-Store Portugal foi desenhado como uma resposta prática à Lei do Restauro da Natureza da União Europeia, que exige que os Estados-membros recuperem pelo menos 20% das áreas degradadas até 2030. O projeto combina investigação científica, ação local e um modelo de parceria entre setor público, privado e sociedade.

Em 2024 o Lidl formalizou uma parceria global com a WWF para promover modelos de negócio mais sustentáveis; em Portugal essa cooperação traduziu-se no apoio direto ao Re-Store. Vanessa Romeu, responsável por assuntos corporativos do Lidl Portugal, sublinhou a responsabilidade da empresa em conciliar produção alimentar com a conservação dos recursos naturais.

Catarina Grilo, diretora de Conservação e Políticas da WWF Portugal, considerou que o envolvimento do Lidl funciona como um catalisador para atrair novos parceiros e ampliar o impacto das ações de restauro.

Como os consumidores podem contribuir

Os clientes do Lidl que quiserem apoiar a iniciativa podem continuar a comprar os sacos solidários em mais de 290 lojas: cada unidade custa um euro e metade do valor reverte para a WWF Portugal. Estes sacos são fabricados a partir de plástico recolhido junto a linhas de costa e certificado como Ocean Bound Plastic.

Depois do Gerês, a comunidade Lidl escolheu o Estuário do Tejo como a próxima área a receber apoio através do mesmo mecanismo de angariação.

Além do financiamento direto, o projeto procura mobilizar voluntariado local, monitorização científica contínua e ações de prevenção de incêndios para garantir benefícios duradouros.

Por que isto importa agora

O restauro no Gerês é relevante por três razões principais: responde a um compromisso legal europeu com prazos apertados; atua sobre territórios afetados por incêndios recentes, reduzindo risco futuro; e demonstra uma nova postura empresarial que investe na regeneração dos ecossistemas, reconhecendo-os como infraestrutura essencial para a economia e para a saúde pública.

Se bem-sucedido, o programa pode servir de modelo replicável para outros locais em Portugal, estimulando parcerias e atraindo financiamento adicional para restaurar paisagens degradadas e recuperar biodiversidade.

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