Mostrar resumo Ocultar resumo
Sem condições na sede e com apresentações marcadas, o Rancho Folclórico de Torres Novas levou o primeiro ensaio público para a Praça dos Claras na noite de sexta-feira, 27 de março — uma medida forçada que evidencia um problema de saúde pública e ameaça a continuidade de uma colectividade com mais de seis décadas. O episódio torna urgente uma decisão municipal sobre um espaço alternativo e sobre o destino do acervo do grupo.
Ensaio ao relento face à necessidade
Na praça, o grupo atuou sem sistema de som, sem os trajes guardados e sem os sapatos de dança habituais, realizando um exercício de preparação para atuações que não podem ser adiadas. A situação resultou de meses de tentativas falhadas de obter soluções junto da Câmara Municipal.
IA puxa retorno às ciências sociais: alerta fundador da Netflix
25 de Abril no Barreiro: Ivandro em concerto, desfiles e oficinas animam a cidade
O presidente do rancho, Nelson Campos, afirma que a direcção tem alertado a autarquia há cerca de 18 meses sobre o estado degradado da sede, mas que as intervenções efectuadas foram pontuais e insuficientes. Diante da falta de alternativa, a escolha foi treinar ao ar livre para não cancelar compromissos já agendados.
O que acontece à sede
A sede, cedida pela Câmara de Torres Novas, sofreu apenas pequenas reparações no telhado e nunca passou por uma intervenção estrutural profunda. Os problemas incluem infiltrações de água que aceleram a degradação do edifício e facilitam a entrada de insetos, roedores e outros animais, com riscos para a saúde dos elementos do rancho.
Fontes do grupo referem ainda que, recentemente, um fragmento do tecto desabou. Por isso os ensaios estão suspensos desde setembro, facto que compromete a preparação para espetáculos e a preservação do espólio — trajes, instrumentos e documentação do rancho fundado em 1958.
Negociações e uma proposta municipal
Em reunião com o presidente e a vice-presidente da Câmara, a direcção propôs a cedência de um espaço municipal junto ao mercado, actualmente sem utilização. A autarquia admite ceder essa área, mas pretende partilhá‑la com mais duas colectividades, o que suscitou dúvidas sobre a capacidade de armazenamento do rancho e a protecção do seu património.
O presidente da Câmara, José Trincão Marques, contactado pela imprensa local, indicou que a solução está identificada e que falta apenas a assinatura de um protocolo. Segundo ele, o documento está a ser redigido pelos serviços jurídicos e não será assinado antes de concluída a sua validação legal.
Antecedentes e consequências
No mandato anterior, a autarquia liderada por Pedro Ferreira já tinha reconhecido as condições de risco do edifício e apontado como prioritária a saída da colectividade para permitir intervenções — medidas que, até agora, não se concretizaram.
- Data do ensaio público: 27 de março (noite).
- Estado da sede: infiltrações, degradação estrutural, infestação por animais, queda de tecto.
- Impacto imediato: ensaios suspensos desde setembro; actuações ameaçadas.
- Proposta municipal: cedência de espaço junto ao mercado; protocolo em elaboração.
- Risco cultural: preservação do espólio do rancho fundado em 1958 em causa.
Para os responsáveis do rancho, o calendário e a falta de um local garantido tornam a situação insustentável. Do lado da Câmara, a prioridade alegada é assegurar que o protocolo legal protege todas as partes antes da assinatura.
O próximo passo esperado é a marcação da proposta para votação em reunião do executivo municipal. Caso a cedência seja formalizada, será essencial clarificar prazos para a ocupação, regras de partilha do espaço (se mantida) e soluções de armazenamento para o acervo do rancho.
Enquanto isso, o grupo continua a preparar-se de forma improvisada e pede uma resposta célere para evitar a perda de património e a interrupção definitiva das actividades culturais que animam a cidade.












